A plenitude do Pai em nós (Parte 2): No Lugar Santíssimo
13/01/2026
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Educador, teólogo e pastor, James Martin Gray se destacou por fortalecer o ensino bíblico e a formação de líderes nos EUA

O teólogo, pastor e educador James Martin Gray (1851-1935) – Foto: Wikimedia / Modificaca com IA

Por Patrícia Scott*

Uma das vozes mais influentes do fundamentalismo evangélico norte-americano, James Martin Gray (1851-1935) se destacou como pastor, teólogo, educador, escritor e compositor de dezenas de hinos. Defensor da inspiração verbal da Bíblia e crítico do Evangelho social – movimento que enfatizava reformas sociais em detrimento da salvação pessoal –, Gray se tornou uma das figuras centrais do dispensacionalismo, corrente teológica que pregava a iminente volta – pré-milenista e pré-tribulacional – de Cristo. Como escritor, publicou em torno de 25 livros, entre eles How to Master the English Bible (Como dominar a Bíblia em inglês – 1909), Prophecy and the Lord’s Return (Profecia e a volta do Senhor – 1917) e Synthetic Bible Studies (Estudos bíblicos sintéticos – 1920). Além disso, Gray integrou a equipe editorial da primeira edição da Bíblia de referência Scofield (1909), e um de seus hinos mais famosos, o Only a sinner (Apenas um pecador), de 1905, tem a melodia assinada por Daniel B. Towner, diretor do departamento de música do Moody Bible Institute (MBI) na época em que Gray era decano da instituição.

Nascido em 11 de maio de 1851, em Nova Iorque, e filho de Hugh e Elizabeth Gray, James perdeu o pai quando ainda era bebê e foi criado em um lar profundamente religioso. Em 1870, casou-se com Amanda Thorne (1850-1875), com quem teve três filhos: Hugh Barr (1872-1962), Bella (que faleceu após um mês de vida, em 1873) e Val (que nasceu em janeiro de 1875 e morreu em agosto do mesmo ano). A esposa de James morreu pouco tempo depois. Em 1878, ele se ca­sou novamente, dessa vez com Susan Goodenough (1858-1919), que lhe deu dois filhos: James Martin Gray Jr. (1879-1920) e Curtis Rockwell Gray (1884-1955). Professora e intelectual respeitada, ela lecionou na Escola de Treinamento Missionário de Boston e ministrou cursos sobre Introdução à Bíblia e Evidências Cristãs.

O pastor e escritor William Arnot (1808-1875) – Foto: Wikimedia/ National Galleries Scotland

Educado na tradição episcopal, Gray parecia destinado a servir à obra de Deus no ministério anglicano. No entanto, uma experiência vivida aos 22 anos mudaria sua trajetória. Em 1873, após ler esboços de sermões sobre o livro de Provérbios, escritos pelo pastor e escritor escocês William Arnot (1808-1875), James aceitou Jesus em um momento de reflexão solitária em seu quarto. Formado em Teologia pelo Bates College, em Lewiston, no estado do Maine (EUA), ele vivenciou um cenário de divisões na Igreja Episcopal (a Igreja Anglicana nos Estados Unidos). Ainda em 1873, o bispo anglicano estadunidense George D. Cummins (1822-1876) rompeu com a denominação e fundou a Igreja Episcopal Reformada. Gray acompanhou o grupo dissidente e foi ordenado pastor em 1877. No mesmo ano, assumiu o pastorado da Igreja da Redenção, no Brooklyn, em Nova Iorque. Depois, serviu por mais um ano na Igreja da Pedra Angular, na cidade de Newburgh (no estado de Nova Iorque), até ser convidado para auxiliar um pastor idoso na Primeira Igreja Episcopal Reformada de Boston em 1879. Com a chegada de Gray, a congregação – que tinha algumas dezenas de congregados – passou a contabilizar mais de 230 membros. Durante os 14 anos que liderou aquela comunidade eclesiástica, Gray fundou três igrejas afiliadas a ela.

O bispo anglicano George D. Cummins (1822-1876) – Foto: Reprodução

Ministério educacional – Em sua permanência em Boston, Gray se aproximou do ministro batista norte-americano Adoniram Judson Gordon (1836-1895), com quem fundou a Boston Bible and Missionary Training School (depois chamada de Gordon Divinity School), na qual lecionou de 1889 a 1904. Na década de 1890, participou de campanhas missionárias do evangelista norte-americano Dwight L. Moody (1837-1899) nas cidades de Nova Iorque, Boston e Chicago. A partir de 1892, passou a integrar o corpo docente do Moody Bible Institute (MBI) como palestrante de verão, permanecendo na função até o outono de 1904.

Em dezembro de 1899, com a morte de Moody, o MBI atravessou uma ampla reorganização, e James se tornou, em 1904, um dos três decanos da direção da instituição. Paralelamente, ele pregava na Igreja da Avenida Chicago – hoje conhecida como Igreja Memorial Moody – e iniciou cursos bíblicos por toda a Nova Inglaterra (EUA). Entre 1901 e 1903, publicou 104 artigos no jornal semanal evangélico Union Gospel News, de Cleveland (Ohio). Em 1907, a estrutura da direção colegiada do MBI foi alterada, e Gray virou o principal dirigente. Em 1925, seu título de decano foi modificado, fazendo dele o primeiro presidente daquela organização. Sua liderança foi decisiva para expandir o instituto após a morte de Moody, moldando o perfil educacional e teológico que o MBI mantém até hoje.

O Pr. James Martin Gray passou a integrar o corpo docente do Moody Bible Institute (foto) em 1892 – Foto:Reprodução / Facebook do MBI

Em 1º de novembro de 1934, aos 83 anos, Gray renunciou à presidência do Moody Bible Institute, embora tenha sido mantido como presidente emérito. Faleceu menos de um ano depois, em 21 de setembro de 1935, em decorrência de um infarto fulminante, e seu corpo foi sepultado no Cemitério Woodlawn, em Nova Iorque. Após menos de dois anos, o MBI pôs uma placa de bronze em homenagem a James Gray no auditório principal, reconhecendo sua vida longa e fiel ao serviço de Cristo e da educação bíblica. (*Com informações de Wikipédia, Moody Bible Institute, Find a Grave e Student Live Moody)


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