Manancial de fé
21/01/2026
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21/01/2026

As motivações do casamento e a relevância da Palavra na vida conjugal

Fotos: Arte sobre foto de IVASHstudio / Adobe Stock

Por Victor Rodrigues

Ao longo das últimas décadas, o casamento tem sido posto à prova por inúmeras mudanças culturais. Pastores e estudiosos evangélicos do tema observam que o propósito original dessa aliança divina vem sendo substituído por metas pessoais, sucesso financeiro e autossuficiência. Segundo eles, o matrimônio – instituído por Deus como um pacto de entrega e comunhão – enfrenta a pressão imposta pelas redes sociais, as quais promovem a ideia de relacionamentos supostamente perfeitos.

Além disso, os ministros do Evangelho lamentam que, em muitos casos, apenas morar junto tem sido normalizado na sociedade. Os dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em 2025, corroboram essa crítica: pela primeira vez na história, a união consensual (38,9%) – caracterizada pela convivência do casal sem formalização do compromisso no âmbito civil e religioso – ultrapassou o casamento formal (37,9%), especialmente entre as gerações mais novas, de pessoas com até 39 anos de idade.

Foto: Divulgação / Graça Editorial

Evangelistas e missionários com vasta experiência em ministérios de apoio a casais asseguram: à luz da Bíblia, o relacionamento a dois é uma aliança duradoura, sagrada e indissolúvel entre um homem e uma mulher, marcada por companheirismo e amor sacrificial. Eles esclarecem que a união de uma só carne (Gn 2.24) não significa a existência de uma relação perfeita. Aliás, as Escrituras registram inúmeros casamentos imperfeitos, como o de Acabe e Jezabel, Davi e Mical, Nabal e Abigail, evidenciando as falhas desses e de tantos outros casais para ilustrar a necessidade da graça divina no matrimônio. Em outras passagens, o Texto Santo ensina acerca de valores, como amor, respeito, fidelidade e comunicação – indispensáveis na sustentação de um casamento saudável – e apresenta uniões maduras marcadas por demonstrações de bondade, lealdade e companheirismo, como as de Priscila e Áquila, Rute e Boaz, e Maria e José.

O Pr. Timothy Keller disse que, ainda que alguém acredite estar se casando com a pessoa “certa”, é importante ter em mente que o matrimônio é uma aliança profunda na qual ambos serão transformados ao longo do caminho
Foto: Frank Licorice – Flickr / Wikimedia CC – modificada por IA

Em seu livro Casamento & família: uma visão para o viver familiar (Graça Editorial), o evangelista norte-americano Frederick K. C. Price (1932-2021) reforça a ideia de que o plano do Altíssimo para a Sua criação está centrado na estrutura familiar. Segundo ele, a família é o canal pelo qual o Senhor opera na dimensão natural, e o casamento, o alicerce dessa dinâmica. No decorrer da obra, o autor salienta que o matrimônio é uma decisão importante na vida de uma pessoa e não deve ser tomada de maneira incoerente ou impensada. Desse modo, o pregador reafirma que, diante do Criador, a união conjugal não se trata de um mero contrato ou uma associação: é uma aliança eterna que impactará quem optar por ela. O melhor de Deus é que duas pessoas que se casem amem a Sua Palavra o bastante para fazer qualquer ajuste necessário, a fim de que a Palavra tenha o primeiro lugar na vida do casal. Se os cônjuges agirem assim, não há como não obterem um relacionamento bem-sucedido, escreveu Price.

O teólogo e pastor batista norte- -americano John Piper enfatiza que reacender o amor pela mesma pessoa, ano após ano, apesar das adversidades, é o verdadeiro segredo de uma união duradoura, sólida e comprometida
Foto: Divulgação / Bethlehem College and Seminary – modificada por IA

Outro autor estadunidense, o Pr. Timothy Keller (1950-2023) disse, certa vez, que o casamento não existe primordialmente para a felicidade pessoal, e sim para que os cônjuges busquem juntos a santidade, cresçam espiritualmente e se aproximem do Pai celestial. No vídeo Casamento e amor, disponível no YouTube, Keller afirmou que, ainda que alguém acredite estar se casando com a pessoa “certa”, é importante ter em mente que o matrimônio é uma aliança profunda na qual ambos serão transformados ao longo do caminho. Sendo assim, o alicerce do casamento não pode ser apenas o sentimento. É a aliança que sustenta o amor, e não o contrário. No mesmo conteúdo, o teólogo e pastor batista norte-americano John Piper, 80 anos, acrescentou que ser marido de uma só mulher é a chave para a longevidade conjugal, enfatizando que reacender o amor pela mesma pessoa, ano após ano, apesar das adversidades, é o verdadeiro segredo de uma união duradoura, sólida e comprometida, especialmente quando é abençoada pelo Altíssimo e firmada em Sua Palavra.

O Pr. Allan Costa lembra que, antes de firmar o compromisso matrimonial, os noivos devem analisar o que os motivou a tomar tal decisão: “Muitos se casam sem a direção divina, transformando o que deveria ser um propósito sincero em mera conveniência emocional”
Foto: Arquivo pessoal

Unidade e compromisso – Para o Pr. Allan Costa, líder nacional dos Jovens que Vencem (JQV), antes de firmar o compromisso matrimonial, os noivos devem analisar o que os motivou a tomar tal decisão. Ele acredita que muitas escolhas amorosas podem nascer de estímulos equivocados – desde o medo da solidão até a ansiedade resultante da demora para encontrar um par. “Impulsionados por essas urgências, muitos se casam sem a direção divina, transformando o que deveria ser um propósito sincero em mera conveniência emocional”, adverte. Costa acrescenta que o indivíduo não pode escolher se casar porque deseja fugir da casa dos pais, a fim de conquistar uma hipotética independência. “O casamento deve ser encarado como a maior missão recebida do Senhor, porque, a partir dessa união, a família é edificada para a glória dEle”, destaca o pregador, assinalando que cabe à Igreja preparar os noivos para o futuro, ajudando-os a compreender o que significa a vida a dois. “Os líderes precisam atuar como conselheiros para que, em tempos de dificuldades, haja correção de rota. Trata-se de uma construção diária, na qual os cônjuges precisam estar dispostos a investir no relacionamento até a volta de Jesus.”

O Pr. Nilton Didini avalia que a preparação dos noivos para o novo momento de vida é fundamental e vai além de um curso pastoral: “É uma forma de blindar o relacionamento contra decisões tomadas apenas pela emoção”
Foto: Arquivo pessoal

Mestre em aconselhamento e líder do ministério de famílias da Assembleia de Deus da Lapa, em São Paulo (SP), o Pr. Nilton Didini avalia que as origens familiares dos jovens podem incentivá-los ou desencorajá-los quanto ao matrimônio. “Quando crescem em lares funcionais, que têm como modelo pai e mãe que se respeitam e convivem bem, conforme aconselha a Bíblia, eles são encorajados. Por outro lado, quando vêm de famílias sem essa referência, tendem a se desmotivar e buscam alternativas superficiais e soluções rápidas”, lamenta Didini.

A Pra. Viviam Adam (com o marido, o Pr. Miro) afirma: “O casamento é a oportunidade de servir, amar e viver as Escrituras Sagradas, a começar pela abnegação, porque melhor é servir do que ser servido”
Foto: Arquivo pessoal

Na visão dele, a preparação dos noivos para esse novo momento é fundamental e vai além de um curso pastoral. “É uma forma de blindar o relacionamento contra decisões tomadas apenas pela emoção”, garante. Nesse sentido, o líder faz coro com quem defende que as igrejas invistam em cursos que unam fundamentos bíblicos, científicos e abordem questões espirituais, sociais, financeiras e comportamentais. “Isso ajuda os noivos a enxergarem os desafios antes que surjam e a lidarem melhor com as consequências de suas escolhas”, pondera o pastor, o qual sublinha que há muitos casais presos à paixão, algo que dura, em média, dois anos. “Passado esse período, emerge a realidade dos comportamentos, e, nesse ponto, revela-se o valor de um verdadeiro discipulado bíblico.” Na opinião dos pastores Miro Adam e Viviam Adam, atuantes há 22 anos na Universidade da Família, em Curitiba (PR), o matrimônio, de fato, é capaz de amenizar os desafios da vida, desde que marido e mulher estejam dispostos a se apoiar mutuamente. “O casamento é a oportunidade de servir, amar e viver as Escrituras Sagradas, a começar pela abnegação, porque melhor é servir do que ser servido”, afirma Viviam, citando o conselho de Jesus, registrado em Lucas 22.27. Por sua vez, Miro alerta para o risco de um dos cônjuges esperar que o outro cure suas feridas emocionais. “Algumas pessoas crescem em famílias estruturadas e sonham em reproduzir esse modelo; outras querem escapar de lares marcados por conflitos”, observa. O ministro frisa que o casamento real acontece no cotidiano, e, por isso, o casal que vive na dependência do Senhor está em vantagem. “Se Jesus não for o Centro da união, a convivência pode se tornar pesada e entediante.” Para Viviam, outro fator complicador é a ilusão gerada pelas redes sociais, as quais distorcem a visão do amor ao criar expectativas irreais. “O universo virtual vende contos de fadas, e muitos jovens, na ânsia de viverem romances idealizados, decepcionam-se”, frisa.

A psicóloga Analice de Paula Oliveira (no dia de seu casamento com o analista financeiro Leandro Santos) afirma que compreender o propósito de Deus para o matrimônio transformou o entendimento que tinham a respeito da futura união
Foto: Arquivo pessoal

Para o Pr. Diogo Bulhões, da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) em Anápolis (GO), muitos casamentos começam com boas intenções, mas são estabelecidos a partir de decisões apressadas. “Movidos pela emoção, alguns casais se unem sem avaliar caráter, fé e responsabilidade. Há ainda os que buscam o matrimônio para suprir carências afetivas ou apenas legalizar o desejo sexual, sem terem maturidade para estarem juntos”, observa o ministro, mencionando um conhecido conselho bíblico registrado no livro de Provérbios: Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado (Pv 19.2 – ARA). Bulhões esclarece que a união conjugal é uma aliança espiritual que precisa ser construída sobre bases sólidas. “O casamento exige paciência, renúncia e perseverança”, pondera ele, acrescentando que o amor não é só um sentimento, mas também uma decisão diária. “A verdadeira felicidade nasce do compromisso diante do Senhor e da pessoa amada.”

O Pr. Diogo Bulhões esclarece que a união conjugal é uma aliança espiritual que precisa ser construída sobre bases sólidas e pondera: “O casamento exige paciência, renúncia e perseverança”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

Firmes no propósito – A psicóloga Analice de Paula Oliveira, 29 anos, relata que a fé em Cristo e o apoio da comunidade de fé foram fundamentais para que ela e o marido, o analista financeiro Leandro Santos, 31, vencessem as turbulências durante o namoro e o noivado. De acordo com ela, compreender o propósito de Deus para o casamento transformou o entendimento que tinham a respeito da futura união. “Nos momentos mais difíceis, encontramos no discipulado e no estudo da Palavra a força para permanecermos unidos, sonhando com uma família”, conta Analice, membro da IIGD em Anápolis (GO). Ela faz questão de ressaltar os ensinamentos passados pelo líder da Igreja, o Pr. Diogo Bulhões. “Ele sempre nos lembrava de que nem todos os dias seriam fáceis; haveria cansaço, estresse e desencontros, mas o amor e o propósito precisavam prevalecer”, relata. Agora mãe de Alice, de apenas quatro meses, Analice testemunha: “Nossos trabalhos prosperaram, e portas se abriram. Temos certeza de que se casar foi a melhor decisão da nossa vida. É lindo viver o extraordinário de Deus.”

O engenheiro civil Victor da Silva (ao lado da esposa, a administradora Maria René) afirma: “Entendi que o casamento é uma das escolhas mais sérias que alguém pode fazer; por isso, baseei minha decisão nas Escrituras”
Foto: Arquivo pessoal – modificada por IA

A história do engenheiro civil Victor da Silva, 36 anos, e da administradora Maria René, 32, começou quando lideravam o JQV na sede estadual da Igreja da Graça em Goiás. Casados há quatro anos, eles garantem que colocar Deus em primeiro lugar, desde o início, foi essencial. “Entendi que o casamento é uma das escolhas mais sérias que alguém pode fazer; por isso, baseei minha decisão nas Escrituras”, afirma Victor, relatando que Maria sempre foi uma mulher de fé. “Eu a admirava muito. Percebi que, se queria alguém para caminhar comigo por toda a vida, precisava ser uma pessoa com os mesmos propósitos e a mesma visão espiritual.” Ela, por sua vez, lembra que ambos aprenderam a importância do diálogo e da busca por maior conhecimento bíblico para uma relação duradoura. “O amadurecimento espiritual alcançado antes do casamento foi fundamental. Então, sempre aconselhamos: busquem a confirmação de Deus antes de tomar qualquer decisão”, conclui Maria René.

Foto: Drobot Dean / Adobe Stock

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