
Vivendo na Plenitude de Deus
03/02/2026
Por Viviane Castanheira, especial para Graça/Show da Fé
A música gospel mundial perdeu, nesta terça-feira (3/2), uma de suas vozes mais emblemáticas: o ministro de louvor estadunidense Ron Kenoly, aos 81 anos. A informação foi confirmada pelo perfil oficial do artista nas redes sociais. A causa da morte não foi divulgada. Com mais de quatro décadas dedicadas integralmente ao ministério, Kenoly marcou gerações ao redor do mundo e influenciou profundamente a maneira pela qual a adoração congregacional passou a ser vivida nas igrejas.
Reconhecido não apenas como cantor, mas também como ministro de louvor, Ron Kenoly sempre fez questão de diferenciar o palco do púlpito. Essa marca foi destacada no comunicado emocionado do produtor musical Bruno George Di Matteo Miranda, que trabalhou com Kenoly por mais de 20 anos. “O Dr. Ron era muito intencional em relação a uma coisa: ele nunca foi um artista, nunca foi um animador de palco. Ele era um líder de louvor”, escreveu Miranda em uma publicação de seu Instagram, repostada no perfil oficial de Ron Kenoly. Segundo Bruno, ele ensinava que “o chamado de um líder não é cantar músicas, mas conduzir as pessoas à verdadeira adoração na presença de um Rei; o Rei dos reis, Jesus Cristo”.
Ao longo da carreira, Ron Kenoly lançou mais de 20 álbuns e ultrapassou fronteiras culturais e geográficas. O grande marco veio em 1991, com o lançamento de Jesus is alive, que o projetou internacionalmente, consolidando seu nome como referência do louvor congregacional. Suas canções, gravadas muitas vezes ao vivo, eram verdadeiros cultos, com corais numerosos, músicos virtuosos e letras centradas na exaltação a Deus. “Não me vejo como um artista que grava CDs. Eu me vejo como um ministro de louvor, que chama todos à adoração ao Senhor”, afirmou ele, em entrevista à Graça/Show da Fé, em agosto de 2006, durante uma de suas visitas ao Brasil.
Nascido em 6 de dezembro de 1944, em Coffeyville, no Kansas, Ron Kenoly teve contato com a música ainda na infância. Antes de se dedicar ao gospel, chegou a trilhar caminhos na música secular, mas reconheceu que havia perdido o foco. Em um dos relatos mais marcantes concedidos à Graça/Show da Fé, ele contou sobre o momento de virada em sua vida espiritual. “Uma noite, quando estava sentado sozinho na igreja, tocando, cantando, orando e louvando o Senhor, encontrei o coração de Deus por meio da adoração. Fiquei ali durante horas. A partir de então, as gravadoras já não me importavam”, declarou ele, em maio de 2004.
Sua relação com o povo brasileiro, aliás, sempre foi especial. Na mesma entrevista, disse: “Sinto amor, aceitação e apreciação. Vou somente onde sou convidado e recebo mais convites para vir ao Brasil do que para qualquer outro país”. Encantado com a musicalidade nacional, destacou: “As pessoas aqui amam o Senhor e adoram celebrar a bondade de Deus. Eu amo isso também. Adoro ser parte dessa celebração”.
Além dos palcos, Kenoly também se dedicou à formação de líderes de louvor, dando aconselhamento em igrejas e ministrando cursos ao redor do mundo. Para ele, a adoração ia além da música. “A coisa mais importante da qual creio poder falar é a respeito da prioridade que Deus estabeleceu no louvor, algo que vamos fazer nesta vida e no porvir. Quanto mais perto chego de Deus pelo louvor e pela adoração, mais Ele Se revela para mim”, disse o líder, na entrevista concedida à nossa publicação em 2006.
Ron Kenoly deixa três filhos do primeiro casamento com Tavita – Samuel, Ronald e Tony – e a esposa Diana, com quem era casado desde 2014. Seu legado permanece vivo em canções que continuam sendo entoadas em igrejas de diferentes países e culturas. Como resumiu seu amigo e discípulo Bruno Di Matteo, “hoje, lamentamos profundamente, mas não sem esperança. A adoração que ele viveu é agora a adoração que ele contempla”.


