
Minha Resposta – 318
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A plenitude do Pai em nós (Parte 1): Estêvão
No tabernáculo (ou tenda da congregação), para chegar ao Lugar Santíssimo (Santo dos Santos, ou simplesmente, Santuário), era preciso passar pelo pátio externo e pelo Lugar Santo. O pátio era um espaço aberto ao povo, onde se encontravam o Altar do Holocausto (ou altar das ofertas queimadas), para purificação da má consciência, e a Pia de Bronze – um recipiente litúrgico usado pelos sacerdotes para a purificação ritual antes de entrar na presença de Deus. Passando ao Lugar Santo, havia ali o Candelabro – que simboliza a presença constante do Altíssimo (e Sua iluminação); no lado oposto, a Mesa dos pães da Presença (da comunhão do povo do Senhor) e, defronte à cortina que dividia o Lugar Santo do Santo dos Santos ficava o Altar de Ouro (ou altar de incenso, que representa a adoração).
A Festa dos Tabernáculos – A última das três grandes festas ordenadas por Deus, a dos Tabernáculos, conhecida por Sucôt ou Cabanas, era comemorada no décimo quinto dia do mês de Tishri, duas semanas após o Ano Novo israelita – o Rosh Hashanah − que, usualmente, cai no final de setembro ou princípios de outubro (Lv 16.29-34). O texto de Números 29.12-34 trata da convocação de uma santa assembleia e da celebração de uma festa ao Senhor que deveria durar sete dias, na qual teria de ser apresentada uma oferta preparada no fogo, de aroma agradável ao Senhor, holocaustos com novilhos, carneiros e cordeiros, todos sem defeito, além de ofertas de cereal e o oferecimento de bodes como sacrifício pelo pecado. Nessa importante ocasião, eram sacrificados 70 novilhos, o que corresponde a 7×10, significando plenitude de trabalho e frutificação. Também morriam 98 cordeiros (7x7x2), em sinal de entrega total e voluntária. Eram ainda imolados 14 carneiros (7×2) e sacrificados sete bodes, indicando a mortificação da nossa natureza pecaminosa.
O véu rasgado – Sob a perspectiva do Novo Testamento, ao transpor o terceiro véu, que simboliza o amor como a maior de todas as virtudes, o crente entra no Lugar Santíssimo. Essa divisão do tabernáculo corresponde à terceira e maior dimensão do nosso desenvolvimento espiritual. O mesmo véu que separa o Lugar Santo do Santo dos Santos representa o corpo de Jesus rasgado no madeiro da cruz (Hb 10.19-22). De acordo com autoridades em assuntos judaicos, nem um par de bois poderia rasgar o véu do Templo de Herodes, que era de material resistente e possuía cerca de 10 cm de espessura e 10 m de altura. Ao homem era impossível rasgá-lo; muito menos de cima para baixo. Só Deus poderia fazê-lo! O dia da graça foi feito pelo Senhor quando rasgou o véu, após a consumação da obra redentora de Cristo no Calvário.

A arca e seus pertences – No Lugar Santíssimo, o crente está diante da arca do Concerto (ou da Aliança), na qual estão os objetos ali colocados por ordem divina:
1) As tábuas da Lei: a Lei representa a boa, agradável e perfeita vontade de Deus, que o crente tem no seu coração (Sl 40.8).
2) A vara de Arão: aponta não apenas para a ressurreição de Cristo, mas também para a vida de vitória do crente, dando flores e frutos pelo poder de Deus (Nm 17.8). O florescimento e a frutificação do ministério confirmam a chamada e a aprovação divina.
3) O maná: ainda no Lugar Santíssimo, o cristão tem diante de si o maná, o pão do Céu, que aponta para Jesus como o verdadeiro pão que desceu do Céu (Jo 6.30-35), mostrando que Israel estava na inteira dependência divina (Êx 16.26, 27).
Nessa posição privilegiada de podermos adentrar ao Santíssimo Lugar, não mais como apenas servos e amigos do Senhor Jesus, e sim como irmãos dEle (Jo 20.17), podemos agora dar muito fruto, ou seja, cem por um (Jo 15.5; Mc 4.8). Além disso, temos a possibilidade de conhecer Aquele que é desde o princípio, não somente como Salvador, mas também como Senhor (1 Jo 2.13-14) e o Supremo Pastor das ovelhas (1 Pe 5.4).
Se estamos vivificados, ressuscitados e assentados com Cristo nas regiões celestiais (Ef 2.6), nosso Salvador já não é apenas o Caminho e a Verdade, mas é também o manancial de Vida a encher plenamente todo o nosso caminhar e toda a nossa atividade intelectual. Somente então, ocupando assim a nossa posição espiritual mais elevada em Cristo, nosso Pai celestial poderá operar em nós as Suas divinas realizações (1 Co 12.6).

O apóstolo Paulo traça a sequência da nossa ascensão espiritual na carta aos Efésios (Ef 3.14-21), chamada por muitos de “o Evangelho das regiões celestiais”. A plenitude do Espírito Santo em nós fortalece o nosso espírito a ponto de Jesus poder viver em nós pela fé. Então, estando em nós, Ele nos desafia a estarmos fundados e enraizados no amor de Deus. Dessa maneira, podemos, então, compreender as quatro dimensões do conhecimento e conhecer o amor de Cristo que excede todo o entendimento, para que sejamos cheios da plenitude do Altíssimo. As dimensões do conhecimento – que Paulo, talvez, tenha extraído da filosofia grega – estão presentes também no texto áureo da Bíblia (Jo 3.16): PorqueDeus amou o mundo[a largura] de tal maneira que deu o seu Filho unigênito [o comprimento], para que todo aquele que nele crê não pereça [a profundidade], mas tenha a vida eterna [a altura].
Abraão de Almeida
Pastor da Igreja Evangélica Brasileira em Coconut Creek, Flórida, EUA, e autor de mais de 30 livros em português e espanhol. E-mail: abraaodealmeida7@gmail.com


