
Histórias de oração
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11/01/2026
Por Victor Rodrigues
Em seu livro O nascimento psicológico da criança (1972), a psiquiatra, pediatra e psicanalista austro-húngara Margaret Schönberger Mahler (1897-1985) escreve que a interação entre pai e filho é um dos fatores decisivos para o desenvolvimento cognitivo e social, facilitando a capacidade de aprendizagem e a integração da criança na comunidade.Nesse mesmo sentido,pastores e estudiosos cristãos do tema lembram que a presença paterna no lar é fundamental para o crescimento espiritual dos filhos e argumentam que a figura ativa do pai exerce um impacto profundo na formação de crianças e adolescentes.

Foto: Wikimedia CC / Recriada digitalmente por David L. Lopez
No entanto, em contraposição a essa função tão importante, crescem, em nossos dias, tanto o abandono paterno presencial quanto o fenômeno dos pais presentes ausentes – homens fisicamente próximos aos filhos, mas emocionalmente distantes deles. Dados do Censo 2022, divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 29% dos domicílios do país são chefiados por mães solo, indicando um aumento crescente da ausência paterna no meio familiar. Profissionais da área pedagógica afirmam que esse distanciamento não se limita ao abandono físico: manifesta-se também na falta de apoio emocional, afetivo e espiritual. Em geral, entre a obrigação de prover e a necessidade de proteger, muitos pais acabam deixando vazios que se refletem no comportamento e nas relações afetivas dos filhos – marcas que atravessam gerações.

Foto: Arquivo pessoal
Mandato de Deus – Segundo o psiquiatra Edson Miyasato, a ausência ou a negligência paterna desencadeia impactos negativos na vida de crianças e adolescentes, como insegurança, dificuldade de respeitar limites, baixa autoestima e maior vulnerabilidade à ansiedade e à depressão. “Em alguns casos, tendem a apresentar comportamentos de oposição ou busca por referências nefastas fora de casa”, observa o especialista, assinalando que, por outro lado, crianças que contam com a presença do pai são mais seguras, regulam melhor as emoções e sabem lidar com as frustrações. “Esse vínculo favorece também a construção de relações saudáveis fora do universo familiar”, destaca.

Foto: Arquivo pessoal
Ao ser indagado pela reportagem de Graça/Show da Fé a respeito dos pais presentes ausentes, Miyasato explicou que o tempo que deveria ser dedicado aos filhos é disputado, por exemplo, com afazeres do trabalho e as redes sociais. Segundo ele, esse tipo de ausência se deve a uma incompreensão do que significa a paternidade – um chamado que exige amor, cuidado e liderança servidora. “Ser pai requer escolhas conscientes: aprender a dizer ‘não’ a excessos profissionais ou sociais, priorizar momentos simples com os filhos e cultivar um ambiente em que fé e afeto sejam transmitidos na prática. A conciliação não é fácil, mas, ao entender o valor insubstituível da sua presença, o pai reorganiza as prioridades”, avalia.

Foto: Arquivo pessoal
O Pr. Marcos Câmara, atuante há 15 anos no ministério de famílias da Igreja Batista Getsêmani no bairro Dona Clara, em Belo Horizonte (MG), recomenda que os pais sejam firmes, mas acolhedores. De acordo com ele, existe um mandato divino para cada homem, que deve ser exercido com amor e autoridade. “Não basta prover financeiramente. É preciso servir, ouvir, abraçar, amar e aconselhar”, pondera o ministro, esclarecendo que é imprescindível preparar os filhos para que amem a Deus de todo o coração, com toda a alma e todas as forças, conforme ensina a Bíblia em Deuteronômio 6.4-9. “São fundamentais as conversas bíblicas diárias, sempre mantendo a coerência nas atitudes. Devem ensiná-los a orar e a ler a Palavra, para que desenvolvam a comunhão com o Senhor e fortaleçam a fé”, aconselha o pregador, o qual adverte: “Nenhum sucesso profissional compensa o fracasso na família”.
Com perspectiva semelhante, a psicopedagoga Shoraia Moreira assinala que a paternidade ativa transmite a sensação de proteção e pertencimento – vivências essenciais para que a criança enfrente desafios acadêmicos e sociais com confiança. “Filhos com presença paterna engajada apresentam menores índices de ansiedade, melhor desempenho escolar e maior estabilidade emocional”, afirma a especialista, acrescentando que a educação deve ser entendida como um processo integral. “A paternidade com base nos ensinamentos cristãos orienta, mas também serve de referência, gerando proximidade e confiança”, acentua. Shoraia, ressalva ainda que, além de desenvolver práticas cristãs e fortalecer os vínculos afetivos e espirituais com os filhos, os pais devem manter conversas diárias, escutar o que têm a dizer, participar das tarefas, comemorar as conquistas, acompanhar o desenvolvimento escolar, valorizar os sentimentos e incentivar a autonomia.

Foto: Arquivo pessoal
Alicerce da fé – Pai de quatro filhos: Igor (17), Eduardo (16), Stella (6) e Samuel (3), o técnico de laboratório Waldeni da Silva Santos, 39 anos, relata que pede sabedoria ao Criador para equilibrar fé, família e trabalho. “Apesar do cansaço, é recompensador perceber as obras que Deus faz em minha vida e em meu lar. Consigo dedicar tempo ao Senhor, cumprir meu serviço, sustentar minha casa e participar ativamente da educação dos meus filhos, sempre guiado por Ele”, garante Santos, que é casado com a enfermeira Gislene Albernas, 32 anos. Ele conta que orou ao Senhor pedindo por um emprego que lhe proporcionasse mais flexibilidade e tempo, e a resposta veio. “Hoje, consigo estar mais perto dos meus filhos. Eu me sinto privilegiado por ter sido escolhido por Deus para ensiná-los no caminho [Pv. 22.6]”, frisa Waldeni, que congrega com a família na Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) em Ceilândia Centro, em Brasília (DF). [Leia, ao final desta reportagem, o quadro Conselhos bíblicos]

Foto: Arquivo pessoal
O chefe de serviço monitor Israel de Oliveira, 45 anos, obreiro da Igreja da Graça também em Ceilândia Centro, vive a paternidade com dedicação. Ao lado da esposa, a nutricionista Kátia Regina, 43 anos, ele procura ser exemplo para os filhos, Kelvin (28) e Kaio (18), que, seguindo sua caminhada de fé, foram batizados nas águas no fim de 2024. “Meu caçula, agora, integra o grupo de mídia da Igreja”, relata o pai, testemunhando que sua força vem do Senhor, Aquele que o orienta e o sustenta no exercício diário da paternidade. “Quando escolhemos servir a Deus, temos a certeza da vitória. Posso declarar com convicção: eu e a minha casa servimos ao Senhor”, afirma, fazendo referência ao texto de Josué 24.15. Israel lembra que, mesmo com o filho mais velho já casado e pai, continua intercedendo por ambos. “Sigo cuidando deles e orando pelos dois. Sou grato pelo que o Senhor tem realizado em minha família”, celebra.
Conciliar trabalho e vida familiar é um desafio para o fotógrafo Rony da Silva, 44 anos, também membro da IIGD em Ceilândia Centro, que vê na paternidade sua missão mais valiosa. Pai da pequena Mariana, de cinco anos, ele relata que adaptou a agenda profissional para desempenhar a sua função paternal de modo mais ativo. “As mudanças foram simples, mas transformadoras: desligar o celular em determinados momentos para brincar com ela, ouvi-la, olhar nos olhos e orar junto antes de dormir”, revela Rony, casado com a fotógrafa Aureane da Silva, 38 anos. “Aprendi que presença não é quantidade de horas, mas qualidade do amor que entregamos”, destaca ele.

Foto: Arquivo pessoal
Para o Pr. Douglas Eduardo Santos, líder distrital da Igreja da Graça no Distrito Federal, o papel do homem inclui estar atento ao estado emocional e espiritual dos filhos, o que não significa apenas ensinar valores, mas também viver a jornada da fé ao lado deles. “Os pais precisam estar firmados na Rocha para forjar o coração dos filhos no temor ao Senhor”, reforça o pastor, acrescentando que a igreja é essencial nesse processo. “É na congregação que a Palavra expõe nossas falhas e nossos defeitos. Ao ouvi-la, o Espírito nos convence do pecado”, ensina Santos, lembrando que pais que frequentam cultos com regularidade são restaurados e moldados pela mensagem do Altíssimo. “Esse poder transformador é essencial para que pais e filhos vivenciem a fé lado a lado.”

Foto: Arquivo pessoal
Por sua vez, o Pr. Fernando Luiz de Camargo, líder da Igreja da Graça em Ceilândia Centro, considera que a educação dos filhos deve incluir o discipulado. “Precisamos, de maneira sóbria e sábia, oferecer todas as condições e ferramentas para que nossos filhos sejam sal e luz, conforme Jesus prega (Mt 5.13,14). Em todas as fases da vida, eles devem colocar dons, talentos e recursos a serviço do Reino de Deus”, assevera Fernando, sublinhando que, no plano original do Criador, os filhos são bênçãos, e não um fardo. “Educá-los é um privilégio concedido pelo Todo-Poderoso. Então, é fundamental ser presente e investir tempo de qualidade para estar com eles”, conclui.
CONSELHOS BÍBLICOS
Segundo as Sagradas Escrituras, a presença paterna é muito importante para o desenvolvimento saudável dos filhos. Como educador, o pai deve amar, cuidar, proteger, acolher e dar um bom o exemplo, seguindo os conselhos preciosos da Palavra de Deus. Aqui, citamos alguns deles:
– E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te (Dt 6.6,7).
– Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece daqueles que o temem (Sl 103.13).
– Filho meu, não rejeites a correção do SENHOR, nem te enojes da sua repreensão. Porque o SENHOR repreende aquele a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem (Pv 3.11,12).
– Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele (Pv 22.6).
– E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor (Ef 6.4).
– Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo (Cl 3.21).
– Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque que filho há a quem o pai não corrija? (Hb 12.7).
(Fonte: Bíblia Sagrada)


