COMPROMISSOS DO CASAMENTO
09/02/2026
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09/02/2026

Bens celestiais superam ganhos terrenos e evidenciam valor do Reino

Foto: Kara – Adobe Stock

Por Lilia Barros

Roy Whetstine, um comerciante de pedras preciosas do estado norte-americano do Texas, visitava uma feira de minerais quando, ao examinar algumas pedras pequenas expostas em uma cesta de plástico, achou uma delas interessante. Do tamanho de uma batata e com uma coloração cinza-lavanda, a pedra foi comprada por ele por apenas dez dólares. O vendedor amador acreditava tratar-se de um simples granito. No entanto, Whetstine reconheceu o potencial daquele mineral ao notar, sob a luz do sol, um brilho peculiar: uma estrela de seis pontas. Após fazer uma perícia em um laboratório especializado do estado da Califórnia (EUA), o homem obteve a confirmação de que tinha em mãos a maior safira natural já encontrada até então, com 1.906 quilates, avaliada em 2,5 milhões de dólares (algo em torno de 13,4 milhões de reais). [Do editor: quilate é uma unidade de peso que define a massa de uma gema; um quilate equivale a 0,2 g ou 200 mg; sendo assim, cada quilate da safira custaria 1.311 dólares (cerca de 7 mil reais)]

Essa narrativa pode ser compreendida de maneira alegórica, pois expressa verdades espirituais e morais presentes nas Escrituras Sagradas, que recorrem com frequência à imagem de tesouros e pedras preciosas. Seja nas parábolas de Jesus, seja em referências aos bens materiais, a Bíblia ensina que o verdadeiro tesouro é conquistar a salvação e ter, dentro de si, os valores do Reino de Deus. Em Provérbios 2.4, o rei Salomão compara a sabedoria e o conhecimento divinos a riquezas ocultas, que devem ser buscadas com o mesmo empenho dedicado à prata e ao ouro. Essa compreensão é reforçada pelas reflexões do renomado evangelista batista norte-americano Billy Graham (1918-2018). Em seu sermão O maior tesouro, com base no Salmo 119.14 (Mais me regozijo com o caminho dos teus testemunhos do que com todas as riquezas – ARA), ele destacou que a alegria genuína não se encontra nas riquezas materiais, e sim na Escritura. Graham alertava que a busca incessante por bens e sucesso pode afastar as pessoas daquilo que oferece sentido e satisfação duradouros. Nesse contexto, reafirmava, naquele sermão, o ensinamento de Jesus registrado no evangelho de Mateus: Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz. Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas! (Mt 6.21-23).

O renomado evangelista batista norte-americano Billy Graham (1918-2018), que destacou, em seu sermão O maior tesouro, que a alegria genuína não se encontra nas riquezas materiais, e sim nas Escrituras Sagradas – Foto: Divulgação – BGEA – modificada com IA
O Pr. Eduardo Henrique Marques de Souza observa que, ao longo da vida, há o risco de tesouros e pedras preciosas não serem percebidos, e, assim, ficarem sem receber o devido valor quando encontrados no decorrer da jornada – Foto: Arquivo pessoal – modificada com IA

O mesmo entendimento é compartilhado pelo Pr. Eduardo Henrique Marques de Souza, auxiliar na sede estadual da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) em Minas Gerais. Ele observa que, ao longo da vida, há o risco de tesouros e pedras preciosas não serem percebidos, e, assim, ficarem sem receber o devido valor quando encontrados no decorrer da jornada. Segundo o ministro, tal fato ocorre porque muitos estão com os olhos “vendados”. Citando o Salmo 119.18 (Desvenda os meus olhos, para que veja as maravilhas da tua lei), o pregador ressalta que “o Reino de Deus é o maior tesouro, cujo valor não foi reconhecido por muitos que, ‘cegos’ espiritualmente, julgam preciosas as pedras comuns”. Para ele, as pessoas tendem a valorizar o superficial, desprezando o que é santo e o que promove verdadeira aproximação com Deus. “Jessé, pai de Davi, enxergava o futuro rei de Israel como uma pedra comum, enquanto via seus filhos mais velhos como preciosos. Entretanto, nem tudo o que julgamos insignificante é sem valor”, pondera.

Ao se recordar do início de sua caminhada com Cristo, aos 16 anos, Eduardo admite ter renunciado a hábitos que antes julgava valiosos. “Eu era apaixonado por futebol, inclusive jogava em um time da minha região, gostava de festas e de sair com os amigos”. O ministro do Evangelho assinala que, para alcançar o Reino de Deus, é necessário fazer renúncias. “A virada de chave em minha vida pode ser traduzida pela mensagem de Paulo aos filipenses: E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo (Fp 3.8). O apóstolo ressalta que sofreu várias perdas pelo Reino, que é o maior tesouro de todos.

O Pr. José Serafim de Oliveira lembra que o Evangelho de Cristo é a pedra mais preciosa do universo, embora tendo sido ignorada e rejeitada por muitos que já ouviram que Jesus salva, cura, liberta e proporciona vida eterna – Foto: Arquivo pessoal – modificada com IA

Prioridades equivocadas – Por sua vez, o Pr. José Serafim de Oliveira, auxiliar na Assembleia de Deus — Ministério do Belém, em São Paulo (SP), lembra que o Evangelho de Cristo é a pedra mais preciosa do universo, embora tendo sido ignorada e rejeitada por muitos que já ouviram que Jesus salva, cura, liberta e proporciona vida eterna. “São pessoas que trocam o tesouro espiritual por prazeres efêmeros e poder econômico”, atesta Oliveira, deixando claro que não é pecado possuir bens materiais. “O perigo está em depositar esperança neles”, assevera, citando o texto de Lucas 12.19,20 (E direi à minha alma: alma, tens em depósito muitos bens, para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado para quem será?). “A nossa cidade está no Céu. É lá que deve estar o nosso coração, o nosso verdadeiro tesouro, que não pode ser visto com os olhos naturais, mas é vislumbrado pela fé.”

O ministro de louvor Érick Vinícius Borges Custódio pontua que o Reino de Deus é um tesouro inestimável, pelo qual vale a pena sacrificar tudo para possuí-lo – Foto: Arquivo pessoal – modificada com IA

Já o ministro de louvor Érick Vinícius Borges Custódio, do ministério On The Road, da Igreja Batista Lindóia, em Curitiba (PR), pontua que o Reino de Deus é um tesouro inestimável, pelo qual vale a pena sacrificar tudo para possuí-lo. Ainda faz referência à parábola ensinada pelo Mestre acerca do homem que encontra um tesouro escondido em um campo e, por isso, vende todos os seus bens com o intuito de comprar o lugar e tomar posse do seu achado (Mt 13.44-58).
“Vender todos os bens representa a decisão de priorizar a Deus e o Seu Reino”, explica. Érick testemunha que, por amor a Cristo, precisou abrir mão de mentiras, ambições pessoais, determinados ambientes e relacionamentos que, embora tivessem valor, não contribuíam para o seu crescimento espiritual. “Foi uma renúncia consciente que resultou em uma vida plena, significativa e eternamente mais valiosa. Não foram perdas, mas trocas que valeram a pena porque nada do que abandonei se compara ao que encontrei em Cristo”, revela ele, acrescentando que entende perfeitamente o significado do alerta dado por Jesus em Mateus 16.25 (Porque aquele que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á). “Salvar a própria vida representa tentar manter o controle e seguir os próprios interesses acima da vontade de Deus. Porém, perdê-la por amor de Cristo é entregar os desejos e as prioridades em obediência a Ele”, assevera o músico, sinalizando que é necessário fazer um exame de consciência acerca das prioridades pessoais — nossos pensamentos, afetos, nossas escolhas e nosso tempo. “Jesus nos chama a avaliar onde realmente temos depositado nossa vida e nossos esforços. Se coloco meu tesouro em valores espirituais, meu coração naturalmente se voltará para Deus”, ensina.

O professor e autor Davi Lago afirma: “Juntar tesouros no Céu significa ler e viver a Palavra de Deus, valorizando Cristo acima de tudo” – Foto: Divulgação – modificada com IA

O professor e autor Davi Lago, membro da Primeira Igreja Batista de São Paulo (SP), sublinha que, no sermão da montanha (Mt 5–7), Jesus contrapõe dois olhares, dois tesouros e dois senhores: o material, representado por Mamom, e o eterno, centrado no Senhor. Enquanto o tesouro mundano é passageiro, a ser corroído pela traça e a ferrugem, o celestial aponta para a eternidade. Lago esclarece que não é possível servir a ambos. “Juntar tesouros no Céu significa ler e viver a Palavra de Deus, valorizando Cristo acima de tudo”, afirma ele, recomendando que nos afastemos dos ídolos modernos que ofuscam o valor do verdadeiro tesouro: a cobiça dos olhos e da carne, a ostentação dos bens, o narcisismo, o individualismo, o egoísmo e a idolatria a si mesmo. “A Bíblia chama de ídolo tudo aquilo que entesouramos e colocamos em primeiro lugar, no espaço que seria de Deus.”

O Pr. Silas Daniel afirma que não é muito difícil saber o que uma pessoa valoriza: “Basta examinar alguns sinais” Foto: Divulgação – Solmar Garcia – modificada com IA

Real valor – Na opinião do Pr. Silas Daniel, da Assembleia de Deus no Recreio dos Bandeirantes, na zona sudoeste do Rio de Janeiro (RJ), muitos crentes carecem de discernimento para reconhecer o que realmente tem valor. Portanto, acredita ser necessário aguçar essa percepção com mais leitura bíblica e maior comunhão diária com Cristo. Segundo ele, não é muito difícil saber o que uma pessoa valoriza. “Basta examinar alguns sinais”, garante ele, citando o conhecido texto de Mateus 6.21 (Onde está o teu tesouro, aí está o teu coração). “O verdadeiro tesouro está naquilo a que dedicamos mais empenho”, alerta o ministro assembleiano, destacando a advertência de Jesus sobre o erro da supervalorização das riquezas materiais, que são passageiras e, portanto, não possuem valor eterno. “Quem entrega a vida a esses bens acaba frustrado e vazio. Para não perdermos o foco no que realmente importa, não devemos nos deixar levar pela concupiscência da carne e dos olhos”, prega.

A Pra. Danielle Cristina Lopes de Souza esclarece: “Jesus nos ensina a buscar a luz da Palavra e a limpar a nossa vida do pecado para encontrar o que verdadeiramente importa” – Foto: Arquivo pessoal

Para a Pra. Danielle Cristina Lopes de Souza, da sede estadual da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) em Minas Gerais, a Palavra deixa claro que o mais importante é buscar o verdadeiro tesouro, conforme o Senhor Jesus nos instrui por meio da parábola da dracma perdida: Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar? E, achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida (Lc 15.8,9). “A mulher precisou acender a luz, varrer e procurar. Assim, Jesus nos ensina a buscar a luz da Palavra e a limpar a nossa vida do pecado para encontrar o que verdadeiramente importa”, esclarece a líder. Ela lamenta que muitas pessoas estejam preocupadas apenas com o presente. “Não devemos nos encantar com as ilusões dessa vida, pois não trarão nenhuma recompensa eterna”, ensina a pastora, deixando claro que a salvação deve ser o (único) alvo. “Cabe ao cristão refletir sobre o que tem valorizado. Se a nossa prioridade for o Reino de Deus e a Sua justiça, as outras coisas nos serão acrescentadas.”

A Pra. Francileide da Silva Gonçalves frisa: “A Igreja precisa ensinar que a salvação é a maior conquista, e que a presença do Todo-Poderoso é tão preciosa que nada mais importa” – Foto: Arquivo pessoal – modificada com IA

O mesmo entendimento é compartilhado pela Pra. Francileide da Silva Gonçalves, da IIGD no Muca, em Macapá (AP). Ela ressalta que o maior tesouro da vida é aquilo que preenche o ser humano com satisfação, alegria e gozo. “A Igreja precisa ensinar que a salvação é a maior conquista, e que a presença do Todo-Poderoso é tão preciosa que nada mais importa”, frisa. A pastora lembra ainda que, aos olhos Senhor, o próprio ser humano é um tesouro, conforme Lucas 15.10 (Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende), já citada nesta reportagem. “O homem tem valor, e aquele que se perdeu e se distanciou do Criador ainda pode ser resgatado. A Palavra de Deus brilha como luz para trazer de volta quem está perdido. O Senhor não desiste de ninguém”, conclui.

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