Liberta do vício
19/01/2026
Liberta do vício
19/01/2026

Inflamação cerebral

Foto: Sagar / Adobe Stock


Um estudo conduzido pelo neurocientista Eduardo Zimmer, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), indica que a inflamação cerebral contribui para que o Alzheimer se desenvolva e avance. Publicada na revista científica norte-americana Nature Neuroscience, a pesquisa mostra que o acúmulo das proteínas tau e beta-amiloide (presentes nos neurônios) só ativa as células que participam da comunicação neuronal (astrócitos) quando as microglias (defesas do sistema nervoso central) também se encontram em estado de alerta. Segundo Zimmer, essas proteínas formam pequenos depósitos insolúveis que colocam ambas as células em modo reativo, produzindo inflamação. Embora esse mecanismo já tivesse sido observado em animais e em cérebros analisados após a morte, a confirmação em pessoas vivas é inédita e só foi possível com métodos avançados de imagem e biomarcadores ultrassensíveis. A análise revela ainda que a ativação conjunta de astrócitos e microglias é necessária para a progressão da doença: se apenas um tipo celular reage, o processo não avança. De acordo com a pesquisa, fatores, como genética, ambiente, tabagismo, álcool, sedentarismo e obesidade, aumentam o risco. Em contrapartida,  praticar exercício, ter boa alimentação, sono adequado e estímulo intelectual ajudam a proteger o cérebro. A descoberta aponta para novas estratégias de tratamento, sugerindo que pode ser preciso interromper a comunicação anormal entre astrócitos e microglias. (Patrícia Scott com informações de Agência Brasil)


Reflexo da obesidade

Foto: Caito / Adobe Stock


Embora ainda seja um assunto pouco comentado, a pressão alta pode acometer crianças e adolescentes — problema que tem se tornado cada vez mais comum. Um estudo divulgado em novembro pela revista científica inglesa The Lancet Child & Adolescent Health mostra que, de 2000 a 2020, a prevalência de hipertensão em jovens de até 19 anos praticamente dobrou, passando de 3,2% para 6,2%. Esse dado representa mais de 114 milhões de crianças e adolescentes hipertensos no mundo. No Brasil, a proporção varia de 3% a 15% nessa faixa etária, segundo o Departamento de Cardiologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

O levantamento aponta a obesidade como o principal fator de risco: entre os jovens obesos, 19% apresentam hipertensão, enquanto menos de 3% dos que têm peso adequado convivem com a enfermidade — uma diferença que torna a pressão alta quase oito vezes mais comum em quem está acima do peso. Além disso, o estudo revelou que 8,2% das crianças e dos adolescentes estão no estágio de pré-hipertensão — quadro no qual a pressão começa a subir, mas ainda pode ser normalizada com ajuste de hábitos e redução de peso. Caso isso não ocorra, a evolução para hipertensão é provável, transformando-se em uma condição crônica desde bem cedo.

De acordo com os cientistas, o grande desafio é que, no público-alvo do estudo, a pressão alta quase sempre é assintomática. Por isso, diretrizes nacionais e internacionais recomendam que a pressão arterial seja medida anualmente em todas as crianças a partir dos três anos de idade, a fim de possibilitar diagnósticos precoces e evitar complicações ao longo da vida. (Patrícia Scott com informações de Veja Saúde)


Doença moderna

Foto: Arquivo pessoal

Cinco minutos com a Dra. Walkíria Brunetti

Por Patrícia Scott

Conhecida popularmente como “WhatsAppinite”, a tenossinovite de De Quervain afeta cerca de dez vezes mais mulheres do que homens — principalmente acima dos 40 anos — e é frequente em pessoas que fazem movimentos repetitivos dos punhos. Segundo a fisioterapeuta Walkíria Brunetti, especialista em dores crônicas, saúde postural, pilates e RPG [Reeducação Postural Global], a doença pode ser tratada e curada, mas a recuperação costuma ser lenta. No entanto, o problema pode retornar caso hábitos que sobrecarregam os tendões não sejam corrigidos. Nesta entrevista, Walkíria apresenta os sintomas e as causas desse distúrbio e aborda a prevenção e o tratamento.

O que é a tenossinovite de De Quervain?

É a inflamação dos tendões que movimentam o polegar, localizada no punho. Ocorre quando a bainha sinovial, que reduz o atrito entre tendões e estruturas próximas, fica espessada e irritada, dificultando o deslizamento e causando sensação de travamento ao mover o polegar.

Quais são os sintomas da doença?

O principal é dor na base do polegar, que piora ao segurar objetos ou movimentar o punho, podendo irradiar para o antebraço. É comum haver inchaço ao lado do punho e, às vezes, um pequeno nódulo. Também provoca sensibilidade ao toque e estalos ao movimentar o polegar.

O que causa esse problema?

O excesso de digitação no celular e em outros dispositivos eletrônicos é considerado, hoje, um dos fatores mais frequentes. A condição afeta igualmente quem realiza trabalhos manuais (costura, tricô, crochê), quem sofre de doenças reumatológicas (artrites reumatoide, gotosa e psoriática), e quem está no período pós-parto.

Quais dificuldades surgem no dia a dia de quem tem a doença?

A dor limita diversos movimentos, tornando difícil abrir potes e portas, segurar objetos, dirigir ou pentear os cabelos. Quase todas as tarefas que exigem o polegar podem ser prejudicadas.

Como é feito o tratamento?

Normalmente, o paciente precisa sair do quadro doloroso antes de iniciar qualquer reabilitação. Para isso, pode ser indicada a termoterapia, a eletroterapia, o ultrassom, o laser e a acupuntura. Quando a dor melhora, são iniciados exercícios para o fortalecimento e o alongamento dos músculos das mãos, dos dedos e dos punhos.

É possível prevenir a tenossinovite de De Quervain?

Sim, reduzindo o uso do celular e do computador e dando preferência para comandos de voz, os quais não exigem movimentos repetitivos. Quem faz trabalhos manuais deve realizar pausas. Além disso, exercícios de alongamento e fortalecimento dos braços, das mãos e dos punhos também são recomendados.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *