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Comportamento

Foto: Elmer Canas / Unsplash

Boas companhias

A Bíblia ressalta o valor da amizade, porém o cristão deve saber escolher bem seus amigos para não tropeçar na fé

Por Evandro teixeira

Amizades verdadeiras não têm preço e, portanto, devem ser cultivadas por toda a vida. Esse é o tema central do romance Adriana, Isa e Sara: amizade que durou (Graça Editorial). Escrito pelo Missionário R. R. Soares, o livro mostra o vínculo fraternal entre três mulheres. Elas se tornaram grandes amigas ainda na adolescência, nem mesmo o tempo nem as adversidades foram capazes de afastá-las. Cumpriu-se com elas aquilo que está registrado em Provérbios 17.17: Em todo o tempo ama o amigo; e na angústia nasce o irmão.

De fato, a Palavra atribui grande valor aos laços fraternos. Em Provérbios 18.24, está escrito: O homem que tem muitos amigos pode congratular-se, mas há amigo mais chegado do que um irmão. Jesus deu o maior exemplo de amizade, ao entregar-Se para salvar seres humanos pecadores da separação eterna de Deus: Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. […] tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer (Jo 5.13-15).

O Pr. Pedro Henrique Nobre Coutinho Moura comenta: “O chamado ministerial pode unir pessoas por um laço de amizade. Uma vida de devoção e firmeza espiritual deve ser a base para a saúde de qualquer relacionamento, inclusive entre amigos” Foto: Arquivo pessoal

Há também outras amizades duradouras e sinceras relatadas na Palavra de Deus. Um das mais conhecidas é a de Davi e Jônatas: (1 Sm 18.1). A sintonia entre Noemi e Rute igualmente é digna de nota: Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus (Rt 1.16).

Ainda há o exemplo de Paulo e Silas, uma amizade que rendeu frutos na expansão do Reino de Deus, como mostram vários capítulos do livro de Atos dos Apóstolos. “O chamado ministerial pode unir pessoas por um laço de amizade. Uma vida de devoção e firmeza espiritual deve ser a base para a saúde de qualquer relacionamento, inclusive entre amigos”, comenta o Pr. Pedro Henrique Nobre Coutinho Moura, da Igreja Metodista em Castelo Encantado, na cidade de Fortaleza (CE).

O contador José Francisco Araújo de Almeida lembra da lição deixada por uma amiga evangélica: “Ela me mostrou que eu precisava me esforçar e me manter firme no meu chamado” Foto: Divulgação / Suzana Aires

O contador José Francisco Araújo de Almeida, 28 anos, teve uma experiência marcante nesse sentido, quando começou a cursar a faculdade de Ciências Contábeis, em 2012. Obreiro da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) em Vila Bandeirantes, em Teresina (PI), pensou em desistir do ministério para se dedicar aos estudos por achar que não conseguiria conciliar tantas responsabilidades.

Porém, na faculdade, conheceu uma jovem também evangélica, e a amizade entre eles se fortaleceu. No convívio com ela, José Francisco percebeu o quanto a moça, apesar da dedicação aos estudos, não deixava de trabalhar na igreja. Por meio desse exemplo, percebeu o erro que estava prestes a cometer. “Ela me mostrou que eu precisava me esforçar e me manter firme no meu chamado.” José conta que não desistiu, e, justamente naquela época, seu ministério cresceu bastante e deu frutos. A amizade entre ele e a jovem durou todo o curso. Ao final, ela voltou para a cidade natal, no interior do Maranhão, mas até hoje os dois mantêm contato.

A cabeleireira Ana Cristina da Silva Rinovato, 51 anos, e a dona de casa Gilda de Gonçalves Santos, 79: amigas há 17 anos e ambas obreiras da Igreja da Graça no Centro de Santos Dumont (MG) Foto: Arquivo pessoal

A amizade entre a cabeleireira Ana Cristina da Silva Rinovato, 51 anos, e a dona de casa Gilda de Gonçalves Santos, 79, rende diversos frutos para o Reino de Deus. Amigas há 17 anos, ambas são obreiras da Igreja da Graça no Centro de Santos Dumont (MG). Além de trabalharem na obra, elas têm há anos o hábito de orarem juntas. “Mesmo quando estou em casa, sinto vontade de ligar para saber se ela está bem. Assim, nossa amizade vai se tornando firme e forte diante da presença do Eterno”, testemunha Ana Cristina.

Cristãos fracos – Infelizmente, nem todos os vínculos de amizade são estabelecidos para a glória de Deus. Entre os jovens, o problema é ainda mais preocupante na opinião do Pr. João Victor de Jesus Essim. Líder de juventude da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) no Centro de Uberlândia (MG), ele ressalta que, por terem pouca experiência de vida, os jovens são mais suscetíveis a influências pouco saudáveis. O segredo para fugir de eventuais armadilhas, no entendimento dele, é pôr em prática o ensinamento de Provérbios 13.20: Anda com os sábios e serás sábio, mas o companheiro dos tolos será afligido.

Pr. João Victor de Jesus Essim. Líder de juventude da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) no Centro de Uberlândia (MG): “Há amigos cujas atitudes desagradam a Deus” Foto: Arquivo pessoal

Embora compreenda que a missão do cristão é pregar o amor de Deus a todos, João Victor lembra que é necessário ser prudente ao estabelecer vínculos com não crentes. “Há amigos cujas atitudes desagradam a Deus. Em um relacionamento assim, o jovem cristão corre o risco de apresentar comportamentos que ferem os princípios bíblicos”, alerta o pastor, destacando que fala com seus liderados a respeito da escolha das amizades. Afinal, de acordo com ele, para questões, como filmes, livros ou roupas, os servos de Deus tendem a ser mais seletivos. No entanto, quando o assunto é amizade, deixam-se levar pela aparência, esquecendo-se de analisar o comportamento dos amigos. “É preciso trazer para o nosso círculo pessoas cuja vida esteja alinhada com a Palavra”, orienta.

O apóstolo Paulo adverte os coríntios sobre questões comportamentais ao afirmar: Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes (1 Co 15.33). O Pr. Ricardo Luiz Andrade Costa, auxiliar na Igreja Batista Fiel do Barreto, em Niterói (RJ), observa que não se pode ignorar a influência do diabo sobre supostos amigos. Afinal, destaca ele, o objetivo de Satanás sempre será fazer o cristão se desviar dos caminhos do Senhor. Contudo, Costa sublinha que essas interferências negativas têm mais efeito sobre os crentes fracos espiritualmente. “Há pessoas que tentam persuadir as outras a fazer aquilo que desagrada à vontade de Deus. Precisamos de discernimento do Espírito para fugir de toda aparência do mal. Na maioria das vezes, não vemos o mundo espiritual, mas podemos senti-lo.”

Pr. Ricardo Luiz Andrade Costa: “Há pessoas que tentam persuadir as outras a fazer aquilo que desagrada à vontade de Deus. Precisamos de discernimento do Espírito para fugir de toda aparência do mal” Foto: Arquivo pessoal

Pensamento semelhante tem a Pra. Maria Marta Ramos Pinto, líder regional da IIGD no Centro de Itapecerica da Serra (SP). Segundo ela, ninguém está livre de se envolver em uma amizade que posteriormente se torne uma ameaça à sua fé. “Devemos estar atentos para que nenhum relacionamento comprometa nossa comunhão com Deus.”

Entretanto, ela frisa que os cristãos devem aproveitar as oportunidades para levar pessoas ao conhecimento do Evangelho. “Muitos irmãos, que hoje estão na casa de Deus, foram levados à igreja por um amigo, por intermédio do qual tiveram um encontro com o Senhor”, observa. A pastora, que também é psicóloga, ensina que a boa amizade deve alicerçar-se nas Escrituras em primeiro lugar.

A nutricionista Bethânia Barbosa Marques Rosa: “Aquele que um dia foi exemplo de má companhia pode vir a ser um grande amigo, após ser transformado pelo amor do Pai celeste” Foto: Arquivo pessoal

“Sábios conselhos” – Para a nutricionista Bethânia Barbosa Marques Rosa, 51 anos, a forma como o cristão expressa seu amor pelos amigos não crentes pode ser uma demonstração do amor do Altíssimo pelos homens. Em certas situações, observa ela, a qualidade do vínculo entre amigos pode falar mais alto até do que uma pregação. “Aquele que um dia foi exemplo de má companhia pode vir a ser um grande amigo, após ser transformado pelo amor do Pai celeste. A base de todo relacionamento deve ser Jesus, pois Ele é a nossa Rocha firme”, declara Bethânia, membro da Igreja do Evangelho Quandrangular em Bangu, zona oeste do Rio de Janeiro (RJ).

Pra. Maria Marta Ramos Pinto: “Muitos irmãos, que hoje estão na casa de Deus, foram levados à igreja por um amigo, por intermédio do qual tiveram um encontro com o Senhor” Foto: Arquivo pessoal

Na opinião do Pr. Edclécio Vital, auxiliar e líder de jovens da sede estadual da Igreja da Graça em Belo Horizonte (MG), é necessário conhecer a Palavra para não ser influenciado negativamente pelos amigos e, ao mesmo tempo, apresentar a luz do Evangelho a todos que estão nas trevas. “Não podemos nos afastar daqueles que ainda não conhecem Jesus. Ao nos aproximarmos deles, temos de mostrar o amor e a graça de Deus.”

Por outro lado, Vital enfatiza que estabelecer laços estreitos com quem professa a fé em Cristo é uma bênção. “Até a rainha de Sabá reconheceu a relevância de ter boas amizades, após conhecer as virtudes do rei Salomão”, recorda-se, citando o texto de 1 Reis 10.8 (Bem-aventurados estes teus servos que estão sempre diante de ti, que ouvem a tua sabedoria!).“A importância de manter uma amizade saudável é a certeza de ter alguém para nos orientar e nos dar sábios conselhos”, conclui.

O Pr. Edclécio Vital alerta: “Não podemos nos afastar daqueles que ainda não conhecem Jesus. Ao nos aproximarmos deles, temos de mostrar o amor e a graça de Deus” Foto: Arquivo pessoal

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