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Para a glória de Deus

À luz das Escrituras, fé e carreira profissional devem caminhar lado a lado

Por Ana Cleide Pacheco

Mesmo no universo cristão, há quem pense que trabalho e fé são áreas distintas. Muitos optam por estabelecer um limite evidente entre sua comunhão com Deus e o que experimentam no ambiente profissional. Contudo, essa diferenciação é errônea, pois a Bíblia afirma que a fé cristã deve permear todas as esferas da existência. Paulo ensina isso em sua carta aos Colossenses: E, tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens, sabendo que recebereis do Senhor o galardão da herança, porque a Cristo, o Senhor, servis (Cl 3.23,24). O mesmo apóstolo recomenda aos Tessalonicenses: Exortamo-vos, porém, a que ainda nisto continueis a progredir cada vez mais, e procureis viver quietos, e tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhar com vossas próprias mãos, como já vo-lo temos mandado (1 Ts 4.10b,11).

Os teólogos da Reforma Protestante entendiam o que a Palavra ensina acerca do trabalho. O reformador alemão Martinho Lutero (1483-1546) afirmou: O fazendeiro, removendo esterco, e a criada, tirando leite da vaca, agradam a Deus na mesma intensidade que o pastor que prega ou ora, se todos estiverem fazendo seu trabalho fielmente. Os puritanos – grupo de protestantes surgido na Inglaterra no século 16, conhecido por sua ênfase na santidade pessoal, moralidade e disciplina fundamentadas na Palavra – pensavam de modo semelhante: acreditavam piamente que os homens encontravam favor aos olhos do Senhor quando se dedicavam ao trabalho honesto.

O reformador alemão Martinho Lutero (1483-1546) e os puritanos acreditavam piamente que os homens encontravam favor aos olhos do Senhor quando se dedicavam ao trabalho honesto
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Segundo as Escrituras, quaisquer tarefas – desde as mais simples até as tidas como mais nobres – são valorizadas pelo Criador, se realizadas para a Sua glória, conforme a recomendação de 1 Coríntios 10.31: Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus. Diante disso, a postura laboral do cristão vai além da honestidade. Inclui responder positivamente à seguinte questão: até que ponto meu compromisso com Cristo influencia a qualidade do que faço?

Equilíbrio emocional” – Consultores especializados em Recursos Humanos são unânimes ao afirmar que integridade, confiança, empatia e espírito de equipe são atributos valorizados pelos empregadores. Nos processos seletivos, além da qualificação dos candidatos, os recrutadores consideram a capacidade técnica e o comportamento diante dos desafios ao longo do exercício profissional e nos relacionamentos interpessoais.

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Usando a linguagem dos especialistas em RH, o colaborador ideal deve possuir as hard skills – habilidades técnicas, como diploma ou fluência em outro idioma – e as soft skills – qualidades comportamentais, entre elas, empatia e inteligência emocional. “As empresas buscam alguém apto a desempenhar as funções do cargo, mas querem que essa pessoa tenha equilíbrio emocional e saiba lidar com o outro”, reforça Márcia Firmiano Sousa, 45 anos, supervisora de Departamento Pessoal e membro da Comunidade Shamah em Pendotiba, Niterói (RJ).

De acordo com ela, as organizações têm buscado oferecer melhores condições de trabalho a seus colaboradores, preocupando-se com a manutenção de um espaço salutar. “As empresas entenderam que o bem-estar é a base para manter uma equipe sólida e que o investimento em pessoal, formação, equipamentos e pesquisas de clima ajuda a garantir um ambiente saudável. Isso é bom para todos, pois os que se dispõem a estar em uma estrutura organizacional devem agir com postura, dedicação e gratidão, buscando e fazendo o melhor”, destaca a especialista.

Márcia Firmiano Sousa, supervisora de Departamento Pessoal, reforça: “As empresas buscam alguém apto a desempenhar as funções do cargo, mas querem que essa pessoa tenha equilíbrio emocional e saiba lidar com o outro”
Foto: Arquivo pessoal

De acordo com a secretária Edilane Pereira de Mendonça Nascimento, 37 anos, da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) em Vila do Pinheiro, no Complexo da Maré, zona norte do Rio de Janeiro (RJ), no contexto exposto por Márcia Firmiano, o bom testemunho cristão é fundamental, associado a demonstrações de proatividade, criatividade e inteligência emocional e ao desempenho correto das tarefas. “Busco desenvolver bem minhas atividades. Procuro definir metas, propósito e faço a gestão do meu tempo. Somado a isso, mantenho uma boa comunicação, construindo conexões profissionais impulsionadoras do meu aprendizado e crescimento.”

Para Edilane Nascimento, o testemunho do cristão não se restringe ao lugar em que se ganha o pão de cada dia, estendendo-se à administração de seus recursos. “Poucos falam sobre o quanto ser prudente com os gastos é imprescindível. Evito gastar mais dinheiro do que eu ganho. Sempre que possível, compro à vista e estabeleço um valor mensal para despesas variáveis. Um comportamento financeiro equilibrado também testifica nossa fé.”

A secretária Edilane Pereira de Mendonça Nascimento lembra que o bom testemunho cristão é fundamental, associado a demonstrações de proatividade, criatividade e inteligência emocional e ao desempenho correto das tarefas
Foto: Arquivo pessoal

O cristão deve ser honesto e gerir sabiamente seus recursos, sendo generoso com os necessitados. Na advertência do apóstolo Paulo em sua carta aos Efésios: Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade (Ef 4.28). Tendo essa palavra em mente, o Pr. Carlos José de Amorim Júnior, 36 anos, da Igreja da Graça no bairro Garavelo, em Aparecida de Goiânia (GO), reforça que é uma obrigação demonstrar coerência no trabalho e fora dele: “Somos servos de Deus, e isso traz uma responsabilidade”, ressalta o pastor. Ele cita o exemplo de José, filho de Jacó, que, mesmo na condição de escravo, prisioneiro e governador do Egito, deu um testemunho irretocável em suas atividades, como lemos em Gênesis 39 e nos capítulos seguintes.

O Pr. Carlos José de Amorim Júnior reforça que é uma obrigação demonstrar coerência no trabalho e fora dele: “Somos servos de Deus, e isso traz uma responsabilidade”
Foto: Arquivo pessoal

Amorim Júnior lembra que trabalhar é uma bênção para o cristão. Além de dar bom exemplo e administrar lucidamente os recursos recebidos, demonstrar gratidão deve ser algo constante na trajetória dos seguidores de Jesus. “Muitas pessoas estão passando dificuldades e enfrentando o desemprego. Quem está empregado precisa manter um coração grato como o Pai nos ensina”, declara o pastor, citando 1 Tessalonicenses 5.18: Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. “Isso agrada ao Senhor e nos fortalece para rompermos as barreiras”, ensina.

Vencer obstáculos faz parte da história da universitária Glicia Figueiredo, 20 anos. Mesmo passando um período sem trabalhar ou estudar, manteve-se fiel ao Senhor. Com esforço, conseguiu ser aprovada para o curso desejado e faz estágio em um espaço de saúde multidisciplinar. Seu emprego é fruto da confiança no Pai celeste: “Fui alcançada pela misericórdia do Deus maravilhoso e imutável”, testemunha a estudante, membro da Igreja Lagoinha em Niterói (RJ).

A universitária Glicia Figueiredo testemunha: “Fui alcançada pela misericórdia do Deus maravilhoso e imutável”
Foto: Arquivo pessoal

“Estar atualizados” – Certamente,o cristão deve demonstrar um caráter inatacável e crer na providência divina, mas também precisa estar em constante aprendizado, a fim de conquistar uma vaga ou permanecer ativo no mercado. É o que pensa o caça-talentos Vitor Bahia, 37 anos, membro da Igreja Batista da Lagoinha em Osasco (SP). Ele ressalta que o mundo do trabalho tem passado por transformações. Nesse sentido, aperfeiçoar-se é uma obrigação profissional. Bahia lembra que, há 50 anos, quem possuía um certificado de Datilografia saía na frente. Na década de 90, quem dominava o PacoteOfficeda Microsofttinha um diferencial. Já no início dos anos 2010, o destaque era para quem possuía formação em Tecnologia e Sistemas. A tendência é evoluir: “Em uma época de mudanças tecnológicas, devemos estar atualizados. Antes, o profissional de RH tinha de saber usar o Excel. Depois, precisou entender de sistemas, como SAP, TOTVS, Factorial ou Workday. Agora, é necessário lidar com análise de dados. Capacitação, preparação e habilitação são impulsionadores para quem deseja um bom desempenho profissional.”

O caça-talentos Vitor Bahia lembra que o cristão deve demonstrar um caráter inatacável e crer na providência divina, mas também precisa estar em constante aprendizado, a fim de conquistar uma vaga ou permanecer ativo no mercado
Foto: Arquivo pessoal

Diante de tantos desafios, a estudante de Administração de Empresas, Mariane Anjos de Freitas, 26 anos, acredita que o segredo é manter a espiritualidade e o trabalho em sintonia. No início de 2023, Mariane foi aprovada para cursar Administração de Empresas em uma universidade federal. Então, começou a buscar uma ocupação adequada aos seus horários, com remuneração suficiente para que se mantivesse estudando. “Sempre coloquei minha vida profissional nas mãos do Senhor. Sabia que essa porta se abriria”, testemunha ela, membro da Assembleia de Deus Ministério Amenizando Fome (ADMAF) em Ramos, zona norte do Rio de Janeiro (RJ).

A estudante de Administração de Empresas, Mariane Anjos de Freitas, acredita que o segredo é manter a espiritualidade e o trabalho em sintonia: “Sempre coloquei minha vida profissional nas mãos do Senhor”
Foto: Arquivo pessoal

Pouco tempo após ingressar na faculdade, Mariane foi chamada para uma entrevista de emprego. A princípio, ficou ansiosa. Depois, colocou em oração a oportunidade e compareceu ao compromisso: “Ao sair do elevador, deparei-me com a vista da Baía de Guanabara pela janela. Fiquei tão contente com aquela paisagem que o nervosismo desapareceu e tive certeza de que a vaga seria minha. Fui aprovada, e o meu trabalho me proporciona aprendizados diários.”

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A responsabilidade de Mariane é grande, pois vai além de cumprir ordens e executar tarefas em troca de remuneração: “É uma permissão do Senhor. Na minha rotina, posso ser grata a Deus. Estou vivendo o resultado das minhas orações. Sinto-me abençoada, pois meu trabalho foi dado por Ele”, conclui a jovem.


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