Carta Viva | Revista Graça/Show da Fé
Vida Cristã
01/11/2020
Ministério
01/11/2020

Carta Viva – 256

Após o Evangelho ser maioria


Ao vermos o Brasil convertendo-se ao Senhor Jesus – Seus seguidores já são maioria em muitas partes do país –, nós nos alegramos, pois não é algo pequeno o que o Pai celestial está fazendo atualmente. Os recém-chegados ao Reino de Deus nem imaginam o quanto sofremos para que a mensagem bíblica se estabelecesse em nossa pátria. A nação estava mergulhada em idolatria e doutrinas humanas. O crescente número de convertidos chega a nos espantar. A cada dia, mais pessoas aceitam a salvação no Filho de Deus e se tornam cidadãs dos Céus (Jo 1.12).

Foto: Mosi Knife / Unsplash

Olhando para aqueles tempos sombrios, posso dizer: o que nos faziam era bom, pois nos uníamos em Cristo, e havia entre nós verdadeiro amor. Cada alma que aceitava Jesus era motivo de alegria nos Céus e entre nós (Lc 15.7)

Eu me converti em 1954, quando tinha somente seis anos de idade. Naquele período, havia intensa perseguição contra os cristãos, também chamados de protestantes ou crentes. A religião dominante, na época, espalhou um preconceito contra nós, dizendo que não passávamos de “gente fraca”, a ponto de sermos estigmatizados socialmente. Entretanto, nem imaginavam o quanto éramos felizes por servir a Deus, segundo a Sua Palavra. Que prazer! (At 5.41).

Olhando para aqueles tempos sombrios, posso dizer: o que nos faziam era bom, porque nos uníamos em Cristo, e havia entre nós verdadeiro amor. Cada alma que aceitava Jesus era motivo de alegria nos Céus e entre nós (Lc 15.7). É na perseguição que a Igreja mais cresce e mostra sua face real. Tudo o que nos acontece é uma bênção; uma lição que não podemos desprezar (Rm 8.28).

Foto: Kristijan Arsov / Unsplash

Na Europa, em países como a Alemanha e os chamados nórdicos, a fé cristã resume-se a pequenos agrupamentos de fiéis, pois boa parte do povo só se importa com os assuntos materiais

PARALELO COM A OCUPAÇÃO DE CANAÃ – Olhando para o início do livro de Juízes, vemos, nos dois primeiros capítulos e em um trecho do terceiro, o autor remetendo-se a acontecimentos registrados no livro de Josué. Há nisso um paralelo com fatos recentes em vários países que aceitaram a Palavra. Eles tiveram profundos avivamentos e prosperaram, mas, depois, distanciaram-se do Senhor. Consequentemente, têm vivido os tempos difíceis descritos pelo apóstolo Paulo (1 Tm 4.1-5).

Após terem entrado em Canaã, a Terra Prometida, a nova geração de israelitas que não conhecia a Deus se desviou. No início, tudo era beleza, alegria e louvores ao Altíssimo: E serviu o povo ao SENHOR todos os dias de Josué e todos os dias dos anciãos que prolongaram os seus dias depois de Josué e viram toda aquela grande obra do SENHOR, a qual ele fizera a Israel (Jz 2.7), mas, depois, muitos foram adorar Baal e Astarote.

É bom lembrar-se da grande obra ocorrida na Inglaterra nos séculos 18 e 19, quando foram construídos grandes templos, e o povo tinha prazer em ir às igrejas. Então, enviaram missionários ao mundo inteiro, porém, hoje, várias daquelas construções dedicadas ao serviço divino são vendidas para cultos que nada têm de cristãos e para boates, clubes noturnos e casas comerciais. Alguns desses espaços que resistem recebem um pequeno grupo de idosos, pois a juventude, as pessoas de meia-idade e os adultos já não se interessam por Deus. Pobres coitados! Onde esses ingleses passarão a eternidade?

Nos Estados Unidos, que até pouco tempo tinha a maioria da população seguindo o Evangelho, o mesmo tem sucedido, embora lá ainda seja um vasto celeiro da Palavra. Da mesma forma, na Europa, em países como a Alemanha e os chamados nórdicos, a fé cristã resume-se a pequenos agrupamentos de fiéis, pois boa parte do povo só se importa com os assuntos materiais. No entanto, não foi isso que Jesus ensinou: Mas primeiro convém que ele padeça muito e seja reprovado por esta geração. E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do Homem. Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e consumiu a todos. Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam. Mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre, consumindo a todos. Assim será no dia em que o Filho do Homem se há de manifestar (Lc 17.25-30).

ELES CONSEGUIRAM O IMPOSSÍVEL – Antes de Deus ter levado Josué aos Céus, Ele explicou ao filho de Num a falta de cumprimento da Sua ordem, pois ainda havia bastante terra a ser conquistada: Era, porém, Josué já velho, entrado em dias; e disse-lhe o SENHOR: Já estás velho, entrado em dias; e ainda muitíssima terra ficou para possuir (Js 13.1). Tais palavras o fizeram com que pensar e tomar uma sábia direção.

O Anjo de Deus falou claramente sobre o fracasso de não terem entrado em Canaã e feito nela o que lhes fora ordenado. O povo chorou diante de Deus e perguntou: E sucedeu, depois da morte de Josué, que os filhos de Israel perguntaram ao SENHOR, dizendo: Quem dentre nós primeiro subirá aos cananeus, para pelejar contra eles? (Jz 1.1).

A resposta do Mensageiro celestial foi rápida e precisa: E disse o SENHOR: Judá subirá; eis que lhe dei esta terra na sua mão (Jz 1.2). Os descendentes do terceiro filho de Jacó com Leia falaram aos seus irmãos, filhos de Simeão, para irem com eles, e, depois, fariam o mesmo com aquelas pessoas, em retribuição.

Eis um importante fato: após Josué ter sido recolhido, os anciãos que viveram com ele e serviam a Deus fizeram um inusitado pedido ao Altíssimo – que Ele lhes prolongasse os dias na Terra, porque viam que a nova geração era carnal, e, por isso, Israel enfrentaria problemas. Era preciso que fossem fortes para realizar a divina obra, como diz o texto: E serviu o povo ao SENHOR todos os dias de Josué e todos os dias dos anciãos que prolongaram os seus dias depois de Josué e viram toda aquela grande obra do SENHOR, a qual ele fizera a Israel (Jz 2.7). Eles foram atendidos. Se tivermos a direção de Deus, pediremos algo fora do comum, e isso nos será concedido (At 19.11,12; Jo 14.14).

A preocupação deles deve ser também a nossa. Se os novos convertidos não aprenderem a temer a Deus, naufragarão na fé, como ocorreu com os israelitas, que, logo após a morte daqueles que conheciam a Verdade, adoraram os deuses dos povos tirados de Canaã. Resultado: não glorificaram o Senhor como deveriam.

Ora, os anciãos viram a glória do Todo-Poderoso, quando Ele cumpriu as promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó. Canaã é símbolo do Evangelho que Jesus prometeu que seria pregado ao mundo inteiro. Nós passaremos, mas a obra de Deus continuará até que o mundo tenha visto a mensagem da cruz ser anunciada com maravilhas, prodígios e sinais.

Foto: Aaron Burden / Unsplash

Canaã é símbolo do Evangelho que Jesus prometeu que seria pregado ao mundo inteiro. Nós passaremos, mas a obra continuará até que o mundo tenha visto a mensagem da cruz ser pregada com maravilhas, prodígios e sinais

AGÊNCIAS MISSIONÁRIAS – Não é possível que as pessoas gastem tempo no ministério, ensinando os perdidos a falarem línguas estrangeiras, na esperança de que alguns se interessem por Cristo. Na Bíblia, não vemos o Mestre agindo assim. Ele dava testemunho ao andar por toda parte fazendo o bem: Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele (At 10.38).

Por que temer perseguições, se falamos a Verdade com demonstração de sinais? Foi isso que Jesus nos mandou fazer com ousadia: E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo (Mt 10.28). Não importa o preço a pagar; temos a promessa da recompensa divina, se obedecemos a Ele em nossa missão. Jamais recuse pregar o Evangelho aonde Ele o mandar.

O fato de os anciãos terem sido atendidos em sua oração mostra a importância que Deus dá à Sua obra.Afinal, o argumento que usaram tocou o Seu coração. Ele é sensível aos nossos pedidos. Há muitos anos, havia um bombeiro hidráulico trabalhando na Igreja. Ele, que já tinha a idade avançada, veio a mim todo feliz, dizendo que, em breve, seria recolhido aos Céus. Quando lhe perguntei como ele sabia disso, o homem me explicou que tinha uma filha ainda solteira. Em oração, ele pediu que lhe fosse concedida a oportunidade de vê-la casar-se e, então, poderia ser recolhido. Com alegria, contou-me que, no sábado anterior, ela se casara e falou que esperava ser levado por Deus logo. Pouco dias depois, um dos seus amigos veio com a notícia de que ele havia partido em paz!

Foto: Priscilla du Preez / Unsplash

Quando provamos o nosso amor ao Senhor, Ele também prova que nos ama. Nunca deixe o pecado entrar no seu interior. Reserve seu coração apenas para a voz de Deus

É fundamental ter intimidade com Deus, pois Ele nos ajudará em tudo. O rei Ezequias ouviu do profeta Isaías que morreria, mas pleiteou com o Senhor, dizendo que estava no auge da sua mocidade. Por isso, Deus o curou e ainda lhe deu mais 15 anos. Quando provamos o nosso amor ao Senhor, Ele também prova que nos ama. Nunca deixe o pecado entrar no seu interior. Reserve seu coração apenas para a voz de Deus.

A NOVA GERAÇÃO DECEPCIONOU – Os anciãos foram inspirados a pedir que o Senhor os deixasse ficar mais um pouco aqui. Porém, um dia, eles foram recolhidos, e a geração mais nova passou a governar. Os novatos se tornaram os responsáveis pelo país. Todavia, como não conheciam o Altíssimo, perderam-se: E foi também congregada toda aquela geração a seus pais, e outra geração após eles se levantou, que não conhecia o SENHOR, nem tampouco a obra que fizera a Israel (Jz 2.10).

Também devemos estar atentos a essa questão, pois, para o Evangelho chegar ao patamar de hoje, tivemos de lutar e sofrer muito. É claro que isso é uma bênção. Padecer por amor a Cristo é uma das melhores coisas que poderiam nos acontecer. Agora, saber que todo o nosso trabalho pode ser em vão nos preocupa!

Em Cristo, com amor,

R. R. Soares


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