Carta Viva | Revista Graça/Show da Fé
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01/12/2020
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Carta Viva – 257

A saga do pródigo


E disse: Um certo homem tinha dois filhos. E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda. E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente (Lc 15.11-13).

As parábolas contadas pelo Senhor Jesus são cheias de lições preciosas. A que fala do filho pródigo traz mais material educativo do que a nossa mente pode perceber. Então, examinemos cuidadosamente esse relato bíblico e, quando sentirmos necessidade de aprender mais, será bom voltarmos a meditar nessa riquíssima narrativa.

Pródigo significa desperdiçador, como vemos ocorrer com o filho mais novo. Ele não disse o motivo pelo qual desejava abandonar a família, mas pediu a metade dos bens do pai. Não sabemos a atitude do filho mais velho, que servia ao pai com dedicação completa, mas, certamente, não gostou de ver atendido o pedido do irmão mais novo nem presenciá-lo, depois, ser recebido com honra e festa pelo pai. Eram só dois filhos, e o desejo de conhecer o mundo e suas atrações, que nada têm de boas, encheu o coração do caçula de coragem, a ponto de resolver romper os laços familiares. Muitos fizeram coisa semelhante e, hoje, amargam sofrimentos.

Foto: Eugenivy Reserv / Unsplash

Jesus explicou que a única maneira de os filhos saírem de debaixo da autoridade dos pais, deixando a casa paterna, não é a universidade, onde se “prepararão” para a vida, mas o casamento: E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne? (Mt 19.5)

Jesus explicou que a única maneira de os filhos saírem de debaixo da autoridade dos pais, deixando a casa paterna, não é a universidade, onde se “prepararão” para a vida, mas o casamento: E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne? (Mt 19.5). Quando a direção do Senhor não é observada, há problemas pela frente. Não há nada demais alguém se mudar para estudar ou fazer a obra de Deus, mas precisa levar a submissão aos pais e vigiar para recusar as regras do mundo: Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre (1 Jo 2.15-17).

ELE FEZ TUDO AO CONTRÁRIO – O rapaz foi para uma terra longínqua, onde não havia meios de o pai repreendê-lo pela vida dissoluta que tinha planejado desfrutar. Ora, as notícias de longe fascinam quem não está centrado em Cristo, porque a carne e suas atrações trazem as maiores tentações que uma pessoa pode experimentar. Aquele que teme o Altíssimo jamais cederá a essas coisas, mas será verdadeiro e fiel servo de Deus por toda a vida. Já quem está fraco na fé, na primeira oportunidade, irá se deixar levar pelas mentiras do diabo, destruindo-se completamente. Caso não se arrependa, terá estragado o seu futuro.

Foto: Tim Marshall / Unsplash

O rapaz foi para uma terra longínqua, onde não havia meios de o pai repreendê-lo pela vida dissoluta que tinha planejado desfrutar. Ora, as notícias de longe fascinam quem não está centrado em Cristo, porque a carne e suas atrações trazem as maiores tentações que uma pessoa pode experimentar

O jovem não viu que o tempo passa depressa, que a riqueza não dura para sempre e não vale a pena deixar as advertências divinas para “aproveitar o momento”. Não percebeu que viver assim é sujar-se para sempre. No final, o que fica é a tristeza de ter perdido sua honra, saber que as pessoas tomaram conhecimento das atitudes estúpidas dele e do quanto foi desregrado. Quando, por fim, amadurecer, o seu coração se encherá de remorso e amargura pelos atos não convencionais e imundos praticados. Ora, o Senhor diz: Mais digno de ser escolhido é o bom nome do que as muitas riquezas; e a graça é melhor do que a riqueza e o ouro (Pv 22.1).

O TEMPO DE DIFICULDADES CHEGOU – Ninguém nunca faz previsões para as secas, um período de calamidades da natureza. Então, quando elas chegam, as pessoas se desesperam e perguntam a Deus por que tais fenômenos ocorrem. Veja, Jesus falou que, no mundo, essas situações acontecerão: Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo (Jo 16.33). Não há quem goste de passar pelas aflições, embora algumas sejam até proveitosas, pois nos fazem entender que o caminho trilhado era ruim. Quem anda com Deus jamais tropeça!

Naquele “paraíso” escolhido para viver dissolutamente, também havia catástrofes. Apesar de reparar no tempo de escassez, o filho pródigo não se deu conta de que o seu dinheiro estava acabando (Lc 15.14). Porém, ao ouvir histórias tristes de outros que perderam tudo, viu que a sua grana já não era a mesma, pois minguara. Saiu para procurar emprego, mas nada encontrou. Provavelmente, argumentava para si mesmo que estava certo, porque só queria “desfrutar da vida”. Só que, na verdade, desfrutava da morte.

Foto: Joshua Woroniecki / Unsplash

Ninguém nunca faz previsões para as secas, um período de calamidades da natureza. Então, quando elas chegam, as pessoas se desesperam e perguntam a Deus por que tais fenômenos ocorrem

Os sinais de alerta encheram a sua mente. Alguns mendigavam, mas o filho de um pai rico faria isso? Não! Tal coisa era humilhante. A crise atingiu todos; até os mais abastados viram o seu dinheiro acabar, e havia falidos por todos os lados.

Em épocas assim, as pessoas se voltam para o Senhor e perguntam o que fizeram de errado. Algumas, assim como o rapaz, não acham algo de bom que as recomende à graça e misericórdia divinas. Por que não se preparou? Por que gastou tudo? Por que não utilizou os seus conhecimentos adquiridos com o pai para abrir um negócio? Eram perguntas sem respostas. De tanto orar, chorar e também se desesperar, apareceu uma vaga de emprego, um trabalho bem aviltante para quem era tão diferente dos demais, um nobre. Ele ganharia o seu pão alimentando porcos!

O que fazer? Era pegar ou largar. O salário era irrisório e não dava sequer para pagar uma moradia decente nem as outras despesas necessárias, como comprar alimentos. Ao dar comida aos suínos, viu uma oportunidade de se alimentar. Assim, pediu ao capataz que o deixasse se servir daquelas bolotas (Lc 15.16). No entanto, ficou estarrecido com a resposta negativa. Ele viu a frieza do coração humano diante da fome e necessidade de um semelhante. Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus trabalhadores (Lc 15.17-19). O jovem resolveu largar tudo e caminhar em direção a sua casa, que ficava longe dali. Mesmo em meio às dificuldades enormes para voltar ao lar, ele não mudou a sua atitude.

A SURPRESA – Quando ainda se encontrava longe de casa, o rapaz viu uma figura parecida com a do seu progenitor, que olhava para o local de onde ele vinha. Ao fixar os olhos, percebeu seu pai correndo ao seu encontro. Isso o gelou por completo. O que direi a ele? Sim, falarei toda a verdade. A atitude do pai em ir ao seu encontro mexeu demais com ele. Aquele homem demonstrou amor, e não ódio, ao encontrá-lo, abraçá-lo e beijá-lo (Lc 15.20).

Vendo a emoção do pai, o filho pródigo não mudou o que tinha planejado falar: E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti e já não sou digno de ser chamado teu filho (Lc 15.21). Disso o pai já sabia, mas o jovem não percebera que ele era, de fato, um homem bom, diferente de todos aqueles que encontrara na terra paradisíaca para onde tinha ido “viver de fato”.

Foto: Jude Beck / Unsplash

Os sinais de alerta encheram a sua mente. Alguns mendigavam, mas o filho nobre de um pai rico faria isso? Não! Tal coisa era muito humilhante. A crise atingiu todos; até os mais abastados viram o seu dinheiro acabar, e havia falidos por todos os lados. Em épocas assim, as pessoas se voltam para o Senhor e perguntam o que fizeram de errado

Faça um julgamento daquele pai e veja se ele agiu bem diante do pedido do filho caçula: metade de toda a sua riqueza, a qual o rapaz desperdiçou. Nunca veio lhe fazer uma visita, nem para saber como estava a família. Depois, por estar morrendo de fome, com roupas gastas e cheio de decepção, retornou para casa. O pai não deveria tê-lo repreendido severamente, mostrando-lhe o quanto fora mau com os familiares e consigo mesmo? Saiba que esse pai simboliza o nosso Deus, que não liga para quanto você desperdiçou da riqueza dEle, e sim para o fato de você ser filho dEle. O Senhor deseja perdoar-lhe e reconduzi-lo ao seio familiar. Você é parte de Cristo, que saiu de casa para ser destruído pelo ser que é o próprio ódio. As Escrituras assim descrevem o maligno: O ladrão não vem senão a roubar, a matar e a destruir (Jo 10.10a).

O pai o chamou de filho, mandou trocarem suas imundas e envelhecidas vestes por outras novas, e ainda ordenou que, no seu dedo, fosse colocado o anel símbolo da família e, nos seus pés, sapatos novos. Deus nos recebe como filhos amados; basta nos arrependermos da nossa vida errada. Ele nos reconcilia sem nos deixar ter algum prejuízo por causa do nosso passado triste.

Se você é um novo filho pródigo, o Pai quer lhe dispensar a mesma recepção. Chega de sofrimento, dor e fome! Vá para os braços de Jesus e seja uma testemunha da Sua bendita graça.

Em Cristo, com amor,

R. R. Soares


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