Remédio eficaz | Revista Graça/Show da Fé
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Remédio eficaz

Pela primeira vez, é recomendado aos cardiologistas que abordem o tema “espiritualidade” com seus pacientes

POR ANA CLEIDE PACHECO

Há algum tempo, a espiritualidade deixou de ser uma questão relacionada apenas ao universo religioso. O assunto tem sido tratado em diversos ambientes e, agora, até nos consultórios médicos. Recentemente, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) recomendou aos profissionais dessa especialidade que abordem o tema com seus pacientes. Isso ocorreu durante o último congresso da SBC, realizado em Porto Alegre (RS) no segundo semestre de 2019. O objetivo não é dizer ao paciente qual religião seguir, mas criar oportunidades para ele expressar sua fé durante a consulta médica. A iniciativa é inédita e visa prevenir doenças do coração ou ajudar no tratamento delas.

A indicação da SBC acompanha o que pesquisas mundo afora têm demonstrado nos últimos anos: crer pode ser um remédio eficaz no combate às doenças. O presidente do Grupo de Estudos em Espiritualidade e Medicina Cardiovascular da SBC, Roberto Esporcatte, esclarece que essa é apenas uma orientação e que os médicos não serão forçados a falar sobre o assunto durante as consultas. A ideia é apenas alertar os profissionais sobre a importância desse aspecto na vida das pessoas. “O objetivo desse documento não é obrigar o médico a tratar do tema espiritualidade, e sim mostrar que o paciente precisa falar não só da doença, mas também sobre sua fé e como ela o tem ajudado”, esclarece.

Esporcatte lembra que essa é uma demanda que precisa ser compreendida e atendida pelos médicos. “Para isso, eles devem estar um pouco mais capacitados e mais atentos a esse tipo de necessidade”, informa, assinalando que a recomendação também serve como um sinal para que os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, psiquiatras, psicólogos) voltem sua atenção para essa área porque envolve os sentimentos dos pacientes.

Muitos benefícios – Para Sylvio Provenzano, presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ), a recomendação da Sociedade Brasileira de Cardiologia é bem-vinda, já que o médico não deve estar preocupado apenas em prescrever exames e medicamentos. É interessante ele abordar questões de espiritualidade e fé porque estreita o relacionamento médico-paciente. “O que a SBC oportunamente colocou é que a crença religiosa, a prática de uma fé, ajuda, em especial, aquelas pessoas em condições crônicas. Temos, inclusive, evidências científicas relacionadas a isso.”

De acordo com o médico, nos Estados Unidos, por exemplo, existem estatísticas que demonstram o tempo médio de internação dos indivíduos praticantes de alguma religião. O período é menor do que o daqueles que não têm uma crença. “Seja pela visita do pastor, de alguém ligado à sua igreja, seja pela prática de oração, de alguma forma, as estatísticas explicitam que essas pessoas se recuperavam mais rápido”, informa ele. Provenzano salienta que, pela análise de várias evidências científicas, entende-se hoje que os médicos devem, sempre que possível, abordar a questão da religiosidade com seus pacientes.

A médica anestesiologista e acupunturista Leila Maria Chaves Ribeiro celebra a recomendação da SBC. Ela lembra que as doenças, em sua maioria, são causadas pelas emoções. “Se o paciente tiver medo, raiva, ansiedade, preocupação, euforia ou tristeza, irá adoecer. E a primeira questão desse tratamento é tentar ajudá-lo a harmonizar essas emoções, fazendo com que ele vá perdoando e buscando o equilíbrio mental e espiritual. Isso vai refletir no seu corpo”, argumenta.

A médica anestesiologista e acupunturista Leila Maria Chaves Ribeiro: equilíbrio mental e espiritual refletem no corpo Foto: Solmar Garcia

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