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A FORÇA DA PALAVRA

Pesquisa aponta que o brasileiro tem mais confiança nas lideranças religiosas do que nos cientistas

POR PATRÍCIA SCOTT

Uma sondagem do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) constatou que os brasileiros confiam mais em líderes religiosos do que em profissionais da ciência. Cerca de 2.200 cidadãos, de todas as regiões do país, foram ouvidos, com recortes específicos por gênero, idade, escolaridade, renda e residência. Apenas 12% dos entrevistados citaram os especialistas da ciência como fontes confiáveis de informação; 15% indicaram os dirigentes religiosos; 26%, os médicos, e outros 26%, os jornalistas. Mas por que os integrantes do universo acadêmico ocupam posição tão pouco privilegiada entre os brasileiros? Afinal, os representantes religiosos pregam dogmas que dependem de fé e não podem ser comprovados pela coleta e análise de dados. E mais: como é possível que os cientistas, os quais são fontes de alegações consideradas confiáveis para médicos e jornalistas, não o sejam para a população?

Uma das respostas possíveis para essas questões seria o distanciamento existente entre a comunidade científica e as pessoas em geral. “Para conquistar a confiança dos brasileiros, é preciso disponibilizar os dados das pesquisas, inclusive com as fontes, de uma maneira que seja de fácil entendimento para eles”, defende Alexandre Kretzschmar, pós-graduado em Engenharia de Produção e criador do site Onze de Gênesis. Para Kretzschmar, seria ideal que houvesse imparcialidade nas conclusões dos estudos, que o cientista buscasse isenção e não quisesse refletir, na sua pesquisa, ideias pré-concebidas e própria cosmovisão. “O que é difícil atualmente, pois há investigações tendenciosas, viciadas, sendo divulgadas.”

Na opinião do médico Assuero Silva, é compreensível que a palavra dos mensageiros de Deus, os pastores, sejam consideradas mais confiáveis que as dos cientistas, “mensageiros de questões técnicas”. No entanto, frisa que fé e ciência não deveriam ser separadas. “Devemos, como cidadãos e como povo crente no Senhor, acompanhar o avanço científico, sem temores, antes com gratidão. O Criador e Sustentador da vida é quem dá aos homens inteligência para serem criativos, agindo sobre a ordem da criação”, argumenta Silva, especialista em Onco-hematologia, área da Medicina que cuida das doenças malignas do sangue, tais como linfomas e leucemias.

Assuero Silva, fundador da Associação Brasileira de Cristãos na Ciência (ABC2), instituição que surgiu com o objetivo de criar uma ponte entre a cosmovisão acadêmica e a fé, lembra que elas não estão em campos opostos. “O cientista verdadeiro e sincero age sobre a criação com a bênção e mediante o convite do Criador”, defende o doutor. Ele explica que, segundo a doutrina cristã reformada, não há dicotomia entre ciência e fé, tendo em vista que Deus é o Autor e Senhor soberano sobre toda a ordem da criação. “Ele opera, e o homem coopera nas fantásticas iniciativas da ciência, visando ao bem do ser humano, à sua melhor qualidade de vida e à glória do Altíssimo, em termos últimos e finais.” [Leia a entrevista com o secretário-executivo da ABC2, Gustavo Assi, aqui]

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