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Foto: Arquivo Graça / Rodrigo Di Castro

Nação de fé

Brasileiros creem mais em Deus, porém necessitam de uma comunhão profunda com Ele

Por Ana Cleide Pacheco

No final do século 19, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) afirmou: Deus está morto, e nós o matamos. Com essa presunçosa frase, o pensador ateu queria dizer que o desenvolvimento da ciência – e o surgimento de uma sociedade cada vez mais secularizada – condenaria à morte a visão de mundo ocidental, cuja base estava fincada na Palavra.

O século 20 trouxe inovações tecnológicas, e algumas sociedades se afastaram mesmo dos princípios cristãos, especialmente na Europa Ocidental. No entanto, a fé no Deus capaz de agir em favor daqueles que O buscam não desapareceu. Em muitos lugares, essa crença se mantém firme, como é o caso do Brasil, que está entre as nações mais religiosas do mundo.

Friedrich Nietzsche (1844-1900) afirmou de maneira arrogante: Deus está morto, e nós o matamos
Foto: Friedrich Hermann Hartmann / Wikimedia

De acordo com o levantamento Global Religion2023, realizado pela Ipsos, empresa multinacional de pesquisa e consultoria de mercado, 89% dos brasileiros creem que Deus existe. Percentual muito superior à média mundial (61%). O Brasil ficou em primeiro lugar na sondagem realizada em 26 países, apresentando a maior taxa de respondentes crentes no Altíssimo. A nação se destacou em relação às demais também em outro quesito: quase 90% dos entrevistados afirmaram que a crença no Todo-Poderoso lhes permite superar os desafios da vida, enquanto a média global foi de 76%.

A Bíblia afirma que crer é fundamental para se conectar com o Criador, pois sem fé é impossível agradar-lhe (Hb 11.6), mas declara que não basta acreditar. É preciso preservar a comunhão com Ele e viver conforme a Sua vontade, seguindo os Seus ensinamentos. As Escrituras também garantem que tesouros ainda mais preciosos estão reservados àqueles que se entregam ao Altíssimo e decidem viver pela fé.

O Missionário R. R. Soares fala sobre o tema: Para ser gerada de novo em Cristo Jesus, a pessoa passa por uma transformação completa
Foto: Arquivo Graça / Marcos AC

O problema é que, por causa do pecado, o homem perdeu a capacidade de cumprir os propósitos de Deus. Para que fosse restabelecida a comunhão entre Ele e os seres humanos, Jesus foi enviado para morrer em lugar da humanidade caída. Desse modo, o Salvador mostrou ao pecador um novo e vivo caminho até o Pai (Hb 10.20), por meio do novo nascimento em Cristo (1 Pe 1.23), capacitando-o a andar em retidão e santidade diante do Senhor (1 Co 6.11). Em seu livro Bênçãos do outono 2024 (Graça Editorial), o Missionário R. R. Soares fala a respeito desse tema: O processo de salvação do ser humano é mais perfeito do que os mecanismos do homem para atribuir filiação a alguém. Para ser gerada de novo em Cristo Jesus, a pessoa passa por uma obra completa de transformação realizada pelo próprio Pai (Ef 2.4-10). Não há como alguém ser salvo de qualquer maneira, porque há uma “engenharia” feita somente pelo Altíssimo dando rumo à perfeição (p. 139).

Foto: Divulgação / Graça Editorial

Na mesma obra, o autor enfatiza que, além de crer na existência de Deus, é necessário que o servo adote um estilo de vida centrado na prevalência da vontade dEle e na luta contra o pecado. De uma coisa podemos estar certos: Deus é fiel o tempo todo (2 Tm 2.13). O seguidor de Cristo deve fazer a sua parte em relação à fidelidade ao Senhor e aos Seus mandamentos (p. 116), escreve R. R. Soares. Os evangelhos registram palavras do próprio Jesus a esse respeito: Se me amardes, guardareis os meus mandamentos (Jo 14.15). Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus (Mt 7.21).

Vida de obediência – Com base no princípio da fé em Cristo e da fidelidade à Palavra, a securitária Fernanda Corrêa Bessa de Sá, 37 anos, membro da Assembleia de Deus Betel de São Miguel, em São Gonçalo (RJ), rejeita a ideia de uma religiosidade vazia, longe da vontade plena do Criador para o ser humano. “O Senhor nos enviou Jesus, nosso modelo a ser seguido, e sabemos que ninguém chega ao Pai sem passar pelo Filho. Ele é o Verbo que Se fez carne (Jo 1.14). Por isso, se buscarmos viver como Cristo viveu, seguiremos uma vida de oração que reforçará nossa intimidade com Deus.”

A securitária Fernanda Corrêa Bessa de Sá rejeita a ideia de uma religiosidade vazia: “O Senhor nos enviou Jesus, nosso modelo a ser seguido, e sabemos que ninguém chega ao Pai sem passar pelo Filho”
Foto: Arquivo pessoal

Segundo Fernanda de Sá, quem deseja fazer a vontade do Altíssimo não apenas com palavras, mas também com ações, deve ter uma vida de obediência, enriquecida pela oração e pelo jejum. “Precisamos estabelecer essas disciplinas espirituais, a fim de fortalecer o nosso espírito, lendo a Bíblia, o nosso manual de fé e prática. Afinal, sem esses elementos diários, o cristão não consegue preservar uma fé genuína em Deus”, ensina.

A estudante Deborah Vieira de Queiroz, 18 anos, da Igreja Batista Lagoinha em Niterói (RJ), lembra que as disciplinas espirituais são indispensáveis para quem deseja servir ao Senhor de todo o coração. “Penso ser importante alimentarmos nosso espírito com o jejum, a oração e a leitura da Palavra. Caso contrário, estaremos suscetíveis a erros e mais propensos a cair.”  Ela defende que, ao nutrirmos nosso espírito, experimentaremos o que promete o apóstolo Tiago: Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós (Tg 4.7).

A estudante Deborah Vieira de Queiroz lembra que as disciplinas espirituais são indispensáveis para quem deseja servir ao Senhor
de todo o coração

Foto: Arquivo pessoal

O faxineiro Marcelo Luiz Pereira, 25 anos, da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Congregação Ebenézer, em Olaria, na zona norte do Rio de Janeiro (RJ), concorda que o jejum e a oração são essenciais para que o crente desenvolva uma vida de comunhão com o Altíssimo. “Deus desempenha um papel de extrema importância no dia a dia do ser humano. Por isso, essas são ações cruciais, para que consigamos matar nosso ‘eu’ carnal e fortalecer nosso lado espiritual, além de estreitarmos nossa ligação com Ele.”

Azeite e lamparina – O Pr. Felipe Ventura Correa, 34 anos, da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) na Freguesia, zona oeste do Rio de Janeiro (RJ), afirma que os conhecedores da Palavra entendem bem a necessidade de manter uma rotina de oração para conquistar uma comunhão desejável com o Pai. “O texto de Mateus 25.1-13 apresenta as dez virgens: cinco loucas e cinco prudentes. As loucas são as que não se preocuparam com os assuntos de Deus. Já as prudentes são as que se encheram da Palavra e dos ensinamentos de Jesus Cristo”, ressalta Correa.

O faxineiro Marcelo Luiz Pereira lembra: “Deus desempenha um papel de extrema importância no dia a dia do ser humano”
Foto: Arquivo pessoal

De acordo com o ministro, o segundo grupo representa as pessoas que se ocupam em buscar a unção do Altíssimo e não deixam suas lamparinas se apagarem, pois têm azeite de sobra. O líder lembra que o azeite está relacionado à unção: “É o combustível da lamparina”, explica o Pr. Felipe, destacando que, quando o Noivo chegar, quem tiver esse óleo estará preparado para entrar nas Bodas do Cordeiro. “Ele voltará para levar a Sua Noiva, a Igreja. Os que guardaram a unção, mantendo a luz de Deus acesa em sua vida, serão salvos e levados por Cristo para a eternidade.” Por outro lado, o pregador salienta que os meros religiosos, ou quem apenas ouviu falar de Jesus, mas não buscou a comunhão com Ele, ficarão nas trevas. “Por isso, bem-aventurado aquele que crê e busca a presença do Senhor”, celebra o líder, citando o Salmo 128.2b (ARA): Feliz serás, e tudo te irá bem.

O Pr. Felipe Ventura Correa: os conhecedores da Palavra entendem a necessidade de manter uma rotina de oração
Foto: Arquivo pessoal

A pedagoga Angélica Macedo Silva da Annunciação, 53 anos, membro da Assembleia de Deus Vitória em Cristo em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro (RJ), acrescenta que o homem deseja encontrar um sentido para sua existência, algo impossível de ser alcançado longe do Salvador. “Muitos buscam o Senhor por um significado e um propósito; por necessidade de orientação e apoio em momentos difíceis, ou ainda em busca de uma conexão mais profunda”, enumera.

A especialista lembra que Deus criou o homem para ter um bom relacionamento com Ele, mas essa ligação foi interrompida pelo pecado. Por intermédio de Cristo, restaurou-se o caminho para o Alto. “Ele nos vivificou, reconectou-nos. Fomos enxertados na Videira para restaurar uma união saudável”, esclarece a pedagoga, indicando que é preciso seguir a orientação do profeta Oseias: Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor: como a alva, será a sua saída; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra (Os 6.3).

A pedagoga Angélica Macedo enumera: “Muitos buscam o Senhor por um significado e um propósito; por necessidade de orientação e apoio em momentos difíceis”
Foto: Arquivo pessoal

Considerando as passagens e as opiniões expostas nesta reportagem, a resposta à pretensiosa frase do filósofo Nietzsche acerca da morte de Deus é dupla. Do próprio Jesus, ao falar da vinda do Filho do Homem: O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar (Mt 24.35). E do profeta Jeremias: Mas o Senhor Deus é a verdade; ele mesmo é o Deus vivo e o Rei eterno; do seu furor treme a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação (Jr 10.10). Como indica a sondagem da empresa multinacional de pesquisa e consultoria, Ipsos, não seria exagero dizer que o Brasil é a prova de que o pensador ateu estava equivocado.


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