Vida Cristã
01/04/2020
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Brasil

Incentivo ao vício

Legalização dos jogos de azar volta à discussão no Congresso, reacendendo a polêmica sobre suas consequências prejudiciais para a família e a sociedade

Por Evandro Teixeira

Os cassinos brasileiros surgiram na década de 1920. Durante o primeiro governo de Getúlio Vargas (1930-1945), houve grandes investimentos nessa área, e chegaram a existir cerca de 70 casas de jogos no país. Em 1946, no primeiro ano da presidência do general Eurico Gaspar Dutra, a prática foi proibida, sob o argumento de que era degradante para o ser humano. No entanto, o assunto retornou à pauta, há seis anos, em razão do Projeto de Lei 186/2014, do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que pretende reabrir os salões de apostas no Brasil.
Em março, em meio à pandemia do novo coronavírus, a matéria já estava pronta para ser votada no Senado. Segundo o texto, diversas modalidades de jogos, em ambiente físico ou virtual, seriam regulamentadas, como o jogo do bicho, as vídeo-loterias, os bingos e os jogos de cassino. O tema, contudo, divide opiniões. Aqueles que são favoráveis apontam para um aumento de receita de estados e municípios, geração de empregos e atração de turistas. Já os opositores a esse plano afirmam que a aprovação dele estimulará o vício e facilitará a lavagem de dinheiro.
A Frente Parlamentar Evangélica (FPE), presidida pelo deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM), é contrária à legalização dessa proposta. Para ele, a atividade em questão está intimamente relacionada ao tráfico de drogas, ao turismo sexual e à escravidão. Somos a favor da vida, da família, da saúde social, e quem é a favor de tudo isso não pode compactuar com os jogos de azar¸ declarou o parlamentar ao site Em Tempo. Por sua vez, o Ministério Público Federal se manifestou, em 2017, contra a legalização desses jogos, dizendo que ela iria ao encontro dos anseios dos criminosos.

Ilusão e pecado – A atitude da FPE é aplaudida pela cientista social Tânia Foster, de São Loureço do Sul (RS). Ela frisa que, devido ao histórico combativo da bancada, não esperava uma postura diferente. O vício em jogos, lembra a especialista, é motivo de ruína para muitas famílias. “A ilusão do dinheiro fácil pode levar rapidamente um indivíduo a um desastre financeiro e ao desentendimento em seu lar”, pontua. Ela observa que as probabilidades de obter vantagem nunca estão a favor do jogador. Ademais, destaca a associação dessa prática, em geral, ao consumo de álcool e drogas ilícitas.
O doutor e mestre em Ciências da Religião, Silas Klein Cardoso, da Igreja Evangélica Congregacional em Vila Vera, São Paulo (SP), acrescenta à discussão outro importante elemento: a ética sob os pontos de vista pessoal e social. De acordo com ele, pensar na jogatina a partir do indivíduo significa considerar a liberdade dele de tomar as próprias decisões, mesmo essas podendo, futuramente, prejudicá-lo. Por outro lado, as implicações na sociedade dizem respeito a sujeitos que podem ser feridos em função de seu vício.
Como há medidas proibitivas quanto aos jogos de azar desde a década de 1940, Cardoso evidencia que o argumento da FPE se baseia em três panoramas: dados de outros países onde há permissão para a jogatina acontecer, a experiência ilegal dela e as narrativas hipotéticas. Historicamente, acrescenta o doutor, os evangélicos a entendem como um pecado contra Deus, pois ela encaminha à devassidão. “A dependência de jogos é um problema que deve ser pesado.”

2 Comments

  1. Eristelia Bernardo disse:

    A Revista Show da Fé está de parabéns. Trazendo matériais sempre muito interessantes e agora também de forma virtual. Parabéns pela iniciativa.

    • Cleber Nadalutti disse:

      Muito grato, caríssima pastora. Que Deus nos dê sabedoria para abordarmos todos os temas das reportagens sempre da maneira mais equilibrada possível.

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