Fé e Sociedade | Revista Graça/Show da Fé
Família – 274
01/05/2022
Carta do Pastor à ovelha – 276
01/07/2022
Foto: Arquivo Graça / Solmar Garcia

Pelo ouvir

Pastores e especialistas lembram que a verdadeira fé é aquela ensinada na Palavra

Por Evandro Teixeira

Que característica positiva melhor representa o Brasil e sua gente, segundo os próprios brasileiros? A fé. Foi o que mostrou uma pesquisa divulgada, no início deste ano, pelo Observatório FEBRABAN-IPESPE, uma parceria da Federação Brasileira de Bancos e do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas. Na opinião de 30% das pessoas consultadas, ter fé é o traço que melhor caracteriza a população nacional, seguida da criatividade (20%) e da capacidade de superação (15%).

Essa sondagem corrobora um levantamento anterior, intitulado Diversidade cristã, levado a efeito em 2021 pelo Grupo Globo. A análise, na qual quase todos os respondentes (99%) declararam ter fé, mostrou o panorama atual da religiosidade e de suas formas de expressão na cultura do país, deixando claro que há um forte crescimento das igrejas evangélicas e um enfraquecimento da tradição católica no Brasil.

O Prof. Arão Inocêncio Alves de Araújo, mestre em História Social, ressalta que, com mais de 520 anos de existência, o Brasil tem uma trajetória caracterizada, em geral, pelo respeito entre as crenças, uma marca dos Estados democráticos atuais – Foto: Arquivo pessoal

Especialistas chamam a atenção, entretanto, para o fato de que, apesar de a fé cristã ser majoritária no país, a base cultural do povo brasileiro carrega traços da religiosidade dos três principais grupos que o formaram: os índios, os europeus da Península Ibérica e os negros. “Quando tratamos desse tema, não podemos avaliá-lo apenas sob a ótica do cristianismo”, pontua o Prof. Arão Inocêncio Alves de Araújo, mestre em História Social. Ele ressalta que, com mais de 520 anos de existência, o Brasil tem uma trajetória caracterizada, em geral, pelo respeito entre as crenças, uma marca dos Estados democráticos atuais.

O Pr. Ozéas da Silva Alvarenga destaca o poder exercido pela crença na mudança de estilo de vida das pessoas: “Ela nos faz sempre dar um passo a mais” – Foto: Arquivo pessoal

Por sua vez, o Pr. Ozéas da Silva Alvarenga, líder da Igreja Metodista do Brasil da Barra, em Muriaé (MG) e professor de História, destaca o poder exercido pela crença na mudança de estilo de vida das pessoas. “A fé é o que nos direciona e nos motiva, também nos tira da zona de conforto e nos movimenta, levando-nos ao crescimento. Ela nos faz sempre dar um passo a mais”, pontua. O ministro pondera que as verdadeiras transformações do indivíduo só acontecem quando ele crê na mensagem do Evangelho e quando o próprio Deus age.

A cientista social Tânia Foster explica o efeito causado pela pandemia de covid-19: “A crença atua como uma força positiva. Na fé, se busca estabilidade emocional para instantes de dificuldade, dor e sofrimento” – Foto: Arquivo pessoal

Dificuldade e sofrimento – Como os estudos citados no início desta reportagem foram feitos no contexto da pandemia de covid-19, a cientista social Tânia Foster acredita que aquele cenário adverso influenciou o resultado das pesquisas. Para ela, o contexto de caos criado pelo alastramento do vírus SARS-CoV-2 fez muitos brasileiros buscarem refúgio na fé. “A crença atua como uma força positiva. Na fé, busca-se estabilidade emocional para instantes de dificuldade, dor e sofrimento”, explica a especialista, ressaltando que tal comportamento pode ser observado em especial entre os mais jovens, que têm se voltado em grande número para as igrejas evangélicas. [Leia, a partir da página 42 desta edição, a reportagem Em busca do Pai]

O assistente social Evandro Gabriel Malavazi Silvério reforça a necessidade de os pais ensinarem seus filhos a crer em Deus desde a mais tenra infância, e observa que a fé deve ser “real, verdadeira, autêntica e coerente” – Foto: Arquivo pessoal

Além das reuniões promovidas por cada grupo religioso, a fé também é adquirida no convívio familiar. É o que defende o assistente social Evandro Gabriel Malavazi Silvério, da Igreja Metodista em Santana, zona norte de São Paulo (SP). Ele reforça a necessidade de os pais ensinarem seus filhos a crer em Deus desde a mais tenra infância, observando que a fé deve ser “real, verdadeira, autêntica e coerente”.

O professor de Teologia Lucas Merlo Nascimento lembra que a fé bíblica, genuína, não pode ser confundida, por exemplo, com pensamento positivo – Foto: Arquivo pessoal

O professor de Teologia Lucas Merlo Nascimento lembra que a fé bíblica, genuína, não pode ser confundida, por exemplo, com pensamento positivo. Segundo ele, a fé deve se basear em algo além da própria pessoa, e o foco será sempre na ação do Altíssimo e na garantia de Suas promessas. “Não pode ser um mecanismo para a expressão de nossa ganância, e sim um exercício de humildade diante de Deus, reconhecendo sempre a vontade dEle”, destaca. [Leia, no final desta reportagem, o quadro Subsídios para a fé]

O Pr. Ricardo Luz Andrade Costa orienta: “Ela [a fé] nos leva a um relacionamento profundo, não superficial com Deus. Jesus deve ser o Senhor de nossa vida. Devemos adorá-Lo em todas as situações” – Foto: Arquivo pessoal

O Pr. Ricardo Luz Andrade Costa, da Igreja Batista Fiel em Niterói (RJ), afirma que, de acordo com a Palavra, a fé precisa estar sedimentada em uma experiência viva com Cristo e deve ser a condutora dos passos do cristão, conforme Hebreus 10.38: Mas o justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. “Ela nos leva a um relacionamento profundo, não superficial com Deus. Jesus deve ser o Senhor de nossa vida. Devemos adorá-Lo em todas as situações”, orienta.

O obreiro Alessandro de Jesus Fonseca Machado lembra: “Muitos brasileiros dizem ter fé na obtenção de suas conquistas, mas, se não estivermos firmados em Deus, de nada ela servirá” – Foto: Arquivo pessoal

Fortalecidos na Palavra – Foi essa fé, inabalável, que moveu a vida do obreiro Alessandro de Jesus Fonseca Machado, 42 anos, quando sua esposa ficou doente. “Ela sentia muita febre a ponto de quase perder os sentidos. No entanto, nenhum médico resolvia o problema.” Membro da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) no Centro de Campos dos Goytacazes (RJ), ele foi bastante questionado por pessoas próximas acerca de sua fé. Até que se deu conta de que deveria usar a determinação e persistir em oração, conforme orienta a Palavra. Assim, obteve a vitória. “Muitos brasileiros dizem ter fé na obtenção de suas conquistas, mas, se não estivermos firmados em Deus, de nada ela servirá”, completa.

O Pr. Paulo Fernando Ferreira Furtado, da Igreja do Evangelho Quadrangular em Padre Miguel, zona oeste do Rio Janeiro (RJ), acredita que a existência de tantas religiões no Brasil – repletas de ensinamentos que se chocam com aquilo que dizem as Escrituras – deve servir de alerta para as igrejas evangélicas. “O respeito a outras crenças não deve ser confundido com apoio às suas práticas anticristãs”, sublinha o ministro, frisando que é preciso evangelizar mais.

O Pr. Marlei Vagner Lúcio ensina: “As pessoas tendem a exercitar a fé em situações difíceis, mas ela deve ser praticada e mantida em todos os momentos” – Foto: Arquivo pessoal

Líder da IIGD no Centro de Barbacena (MG), o Pr. Marlei Vagner Lúcio também aponta a necessidade de as pessoas ouvirem o Evangelho e, assim, poderem se firmar na fé genuinamente bíblica, tal como aconselha o apóstolo Paulo em Romanos 10.17: De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. “As pessoas tendem a exercitar a fé em situações difíceis, mas ela deve ser praticada e mantida em todos os momentos”, ensina o ministro, indicando que mesmo os cristãos precisam aprender mais sobre esse tema. “Muitos dizem que creem, mas ficam desorientados diante das dificuldades. Devemos buscar o Senhor diariamente. À medida que fazemos isso, somos fortalecidos na fé. E é disso que precisamos”, conclui.

Subsídios para a fé

A Graça Editorial dispõe de vários títulos sobre o que a Bíblia ensina a respeito da fé. Confira alguns deles:

Fundamentos da fé – Obra do pastor e conferencista norte-americano Kenneth E. Hagin (1917–2003), esse livro ensina princípios básicos da fé, a qual é a chave para receber as bênçãos do Senhor. Nele são respondidas questões como: o que é a fé e a esperança? O que é crer com o coração? Como liberar a sua fé?

Oração da féEscrito pelo Missionário R. R. Soares, esse livro tem como objetivo mostrar que Deus está sempre pronto para aqueles que a Ele clamam com fé e determinação. Com base em diversas passagens bíblicas, o autor mostra por que muitas pessoas não obtêm as bênçãos do Eterno e ensina como sair dessa situação.

A Fé que a Bíblia ensina O evangelista norte-americano T. L. Osborn (1923-2013) aborda o assunto a partir de Hebreus 11. Na obra, ele examina criteriosamente esse capítulo e analisa os perigos de alguns ensinamentos mundanos os quais contrariam princípios básicos da Palavra de Deus.

Fé transformadoraO escritor canadense A. W. Tozer (1897-1963) apresenta suas experiências de fé, avaliando-as com base em Hebreus 11. De acordo com o autor, a fé genuinamente bíblica rompe paradigmas, gerando no cristão uma verdadeira insatisfação com as coisas terrenas e preparando-o para a vida eterna.

Os perigos de uma fé superficial – Outra obra de A. W. Tozer, esse livro é uma advertência à Igreja moderna acerca dos riscos da apatia espiritual. Em cada capítulo, o leitor é exortado a tomar uma posição ousada, render-se completamente ao Senhor e viver a fé em profundidade.

Um outro olhar sobre a fé – Nessa obra, o pastor e conferencista norte-americano Kenneth Hagin Jr. expõe uma reflexão sobre o porquê de muitas pessoas não terem suas orações respondidas. Ele afirma que, para viver as promessas divinas, é preciso aprender a ter uma fé genuína.

(Fonte: Graça Editorial)


1 Comment

  1. Que Deus abençoe grandimente o senhor missionario

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.