Heróis da Fé | Philip Paul Bliss | Revista Graça/Show da Fé
Família – 274
01/05/2022
Carta do Pastor à ovelha – 276
01/07/2022

Heróis da Fé | Philip Paul Bliss

Foto: Reprodução

Cantor, compositor e evangelista

Philip Paul Bliss, um dos grandes nomes da música cristã do século 19, anunciava a Palavra por meio de seus hinos

Por Élidi Miranda*

Sou feliz com Jesus / Sou feliz com Jesus, meu Senhor. Por gerações, esses versos têm sido entoados nos cultos de inúmeras igrejas brasileiras. Trata-se do refrão de Sou feliz, hino 398 do Cantor Cristão – coletânea musical das igrejas batistas do Brasil. O autor da melodia é o norte-americano Philip Paul Bliss (1838-1876), cujos talentos para o canto e para a composição escreveram seu nome na história da hinologia evangélica.

Nascido em uma família metodista, desde cedo, aprendeu a amar a Deus e à música cristã. Porém, a fim de tornar-se músico, o jovem Philip teve de vencer muitos obstáculos. A família era pobre e possuía uma pequena propriedade perto do condado de Tioga, na Pensilvânia. Com apenas dez anos, ele ia à cidade para vender parte da produção de verduras da família.

Certo dia, enquanto andava pelas ruas oferecendo seus produtos, ouviu, pela primeira vez, o som de um piano. Encantado com aquilo, o menino – maltrapilho e descalço – saltou o muro da casa e parou em frente à porta da sala onde uma jovem tocava o instrumento. Quando viu a criança, a moça, imediatamente, parou de tocar. Em sua inocência, ele pediu que ela continuasse. Mas a jovem foi impiedosa: Ponha-se daqui para fora, seu descalço!, exclamou. Aquela experiência marcaria sua vida para sempre: ele estava decidido a ser músico um dia.

Aos 11 anos, o pequeno Philip saiu de casa e passou a trabalhar por conta própria em acampamentos de lenhadores. E, apesar da pouca idade, não abria mão de estudar. Assim, em 1856, aos 18 anos, considerou que havia encontrado a profissão da sua vida: ser professor. Àquela altura, o sonho de se tornar músico parecia ter sido arrefecido pela dureza da vida.

Dwight L. Moody (1837-1899) – Foto: Reprodução

Porém, em 1857, aos 19 anos, conheceu J. G. Towner, o qual, reconhecendo que Philip tinha uma voz diferenciada (era um baixo profundo), tornou-se seu primeiro professor de canto. A partir daquele momento, Bliss aplicou-se a essa arte. Logo, o rapaz descobriu seu talento também para compor. Um ano depois, em 1858, conheceu Lucille [Lucy] Jane Young (1841-1876), uma poetisa que pertencia a uma família de músicos cristãos, com quem se casou um ano depois. Ela o encorajou a continuar desenvolvendo seus talentos musicais. O jovem passou a trabalhar na fazenda do sogro, e permaneceu estudando música.

Até que, em 1860, teve a oportunidade de participar de um curso de verão na Academia de Música Normal de Nova Iorque. Era um programa intensivo, que, ao final, garantiu-lhe uma certificação para ser professor de música. Ele ainda participaria do curso por outros três verões consecutivos, completando, assim, sua formação musical. Tal como um dia sonhara, quando criança, ele agora era um músico profissional.

Não demorou a ser reconhecido por seu talento, principalmente para o canto e a composição. Entre suas obras, havia hinos sacros e canções populares. Em 1864, o casal se mudou para Chicago. Bliss conseguiu uma vaga como docente na principal escola de música da cidade, com um ótimo salário. Sua carreira ia de vento em popa: era famoso e ganhava bem.

Daniel Webster Whittle (1840-1901) – Foto: Paul J. Scheips / Wikimedia

Presença do Espírito – Até que, em 1869, conheceu o evangelista norte-americano Dwight L. Moody (1837–1899), o qual insistiu com o jovem Bliss que abandonasse a carreira secular a fim de se dedicar apenas ao serviço cristão e evangelizar por meio da música. Bliss hesitou. Passaram-se quatro anos até que ele finalmente tomasse a decisão de se juntar ao também cantor Daniel Webster Whittle (1840-1901) para uma série de cruzadas evangelísticas. Queria ver o que iria acontecer. Em um dos cultos, enquanto Bliss, com sua voz grave e poderosa, entoava uma canção, a presença do Espírito Santo encheu todo o salão. De repente, pessoas não cristãs começaram a ir à frente, clamando por salvação.

A partir dessa experiência, ele teve certeza de que Deus o queria no ministério.

Confiando que o Senhor proveria o sustento para sua família, renunciou ao emprego, passando a se dedicar apenas à obra evangelística. Sua fama no meio cristão aumentou ainda mais. Em 24 de novembro de 1876, Bliss cantou em uma reunião com mais de mil pastores, dirigida por D. L. Moody no Farwell Hall de Chicago. Durante aquele encontro, apresentou uma das canções cuja melodia havia acabado de compor It is well with my soul (Sou Feliz, o hino citado no início desta reportagem). Aquela seria uma de suas últimas apresentações.

A família Bliss passou o Natal daquele ano com os parentes de Paul, na Pensilvânia. O casal planejava voltar a Chicago em janeiro, onde ele trabalharia definitivamente com Moody. Entretanto, uma mensagem chegou de Chicago, pedindo-lhe que voltasse antes do Ano Novo. Marido e mulher deixaram os filhos Philip Paul, de um ano, e George, de quatro, na Pensilvânia, e seguiram viagem de trem. Era o dia 29 de dezembro de 1876. Sob forte nevasca, a composição que os levava descarrilou em uma ponte, precipitando-se em um rio congelado. Bliss conseguiu escapar com vida por uma janela, mas percebeu que a esposa estava presa. Voltou para salvá-la, porém começou um incêndio que rapidamente consumiu todos os vagões, e Philip Paul Bliss morreu ao lado de sua querida Lucy.

A morte do grande cantor e evangelista foi lamentada por todos os Estados Unidos (EUA). O funeral aconteceu em Rome, na Pensilvânia, onde foi erguido um monumento em homenagem ao artista. Além de Sou feliz, os hinários evangélicos brasileiros têm várias de suas composições. (*Com informações de Wholesome Words e Library of Congress)


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.