Heróis da Fé | William Wilberforce | Revista Graça/Show da Fé
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Heróis da Fé | William Wilberforce

Foto: Reprodução

Lutador

Por décadas, William Wilberforce trabalhou pelo fim da escravidão no Reino Unido e em suas colônias

Por Élidi Miranda*

H

á quem diga que fé e política não se misturam. Contudo, a Palavra de Deus desmente essa ideia, por exemplo, quando mostra a história de José. Pela ação sobrenatural do Senhor, ele se tornou governador do Egito e salvou da fome milhares de vidas (Gn 42.6). A Bíblia também relata a vida de Daniel. Por sua proximidade com o rei da Babilônia, esse homem fiel ao Todo-Poderoso ajudou a tornar o Nome do Altíssimo conhecido entre os povos (Dn 4). E, ao longo da trajetória da Igreja, muitos servos do Senhor ajudaram a transformar a história das nações por meio da política. Um deles foi o britânico William Wilberforce (1759-1833), principal expoente na luta pelo fim da escravidão negra no Império Britânico.
Ele nasceu em uma abastada família de comerciantes de Hull, no Leste da Inglaterra. Aos nove anos, após a morte de seu pai, foi enviado a Londres para morar com um casal de tios, que eram cristãos. Ali, conheceu pessoalmente o grande evangelista George Whitefield (1714-1770) e o famoso pastor anglicano John Newton (1725-1807), o qual havia sido mercador de escravos e abandonara o tráfico negreiro após sua conversão a Cristo. Sob a influência desses homens, Wilberforce aceitou o Evangelho aos 12 anos. No entanto, sua fé não se firmou e, quando foi estudar na Universidade de Cambridge, em 1776, transformara-se em um jovem tão carismático quanto absolutamente mundano.
Rico, simpático, eloquente e erudito, decidiu, aos 21 anos, concorrer a uma cadeira no Parlamento nas eleições de 1780. Seu carisma e, principalmente, o dinheiro da família garantiram que se elegesse. Seu melhor amigo, William Pitt (1759-1806), trilhou o mesmo caminho e, aos 24 anos, tornou-se primeiro-ministro, feito que ajudaria a alavancar ainda mais a carreira política de Wilberforce.

A casa do britânico William Wilberforce (1759-1833), hoje museu, na cidade de Hull, no Leste da Inglaterra – Foto: Reprodução / Routes Beyond


Em 1784, durante o recesso parlamentar de verão, convidou um amigo, o famoso matemático e cientista Isaac Milner (1750-1820), para acompanhar a família Wilberforce em uma viagem de lazer à Riviera Francesa. O parlamentar ficou surpreso ao descobrir que o convidado, a quem respeitava por sua imensa capacidade intelectual, era um cristão convicto. Durante a estada no Sul da França, eles conversaram demoradamente sobre a fé e a teologia cristãs. No verão seguinte, Milner foi novamente convidado a acompanhar a família à Riviera, e novas conversas sobre a fé se sucederam. Mas, desta vez, quando retornou da França, William Wilberforce era um novo homem, lamentando ter negligenciado por tanto tempo as indizíveis misericórdias de seu Deus e Salvador.
Após sua reconciliação com Cristo, o jovem político pensou em deixar a vida pública para se dedicar ao ministério pastoral. Porém, alguns amigos próximos, como o próprio William Pitt, encarregaram-se de desencorajá-lo por acreditarem que ele poderia ser muito útil ao Senhor no Parlamento. Assim, depois de um considerável tempo de oração, Wilberforce chegou à seguinte conclusão: Deus colocou diante de mim dois objetivos: a supressão do comércio de escravos e a reforma dos costumes [referindo-se aos princípios morais].

Ameaças de morte – Em dezembro de 1787, Wilberforce apresentou no Parlamento sua primeira moção pela abolição do tráfico de escravos. Ali, começava sua luta. Obviamente, houve grande resistência de seus colegas ao tema, devido aos benefícios que o comércio de africanos representava para a economia inglesa. Mesmo assim, ele conseguiu propor alguns projetos de lei que ensejavam pôr fim à escravidão. Nenhum deles foi aprovado nos anos que se seguiram. No entanto, convicto de sua missão, o político seguia em frente, apesar dos xingamentos, das inúmeras ameaças de morte e de ser abandonado por vários amigos que discordavam de suas ideias.
Paralelamente, o filantropo Wilberforce trabalhava pelo avanço da pregação do Evangelho, apoiando financeiramente diversas organizações missionárias. Em 1797, publicou seu famoso livro A practical view of the prevailing religious system of professed christians (em tradução livre, Uma visão prática do sistema religioso prevalente dos cristãos professos), obra que se tornaria bastante popular. No ano anterior, aos 37 anos, casou-se com Barbara Ann Spooner (1771-1847), que seria sua companheira até morrer e lhe daria seis filhos.

Barbara Ann Spooner (1771-1847) – Foto: Reprodução


Além de tentar convencer os colegas parlamentares britânicos a acabar com os horrores da escravidão, Wilberforce se esforçava para ganhar simpatia e apoio da opinião pública à causa. E, assim, foi, pouco a pouco, obtendo sucesso. Finalmente, em fevereiro de 1807 – 20 anos após seu primeiro discurso pelo fim da escravidão –, foi aprovada uma lei que abolia o tráfico negreiro em todo o Reino Unido e em suas colônias.
Sua luta, entretanto, estava longe do fim. Pelos 26 anos que se seguiram, até sua morte, em 1833, William Wilberforce continuaria a trabalhar pela erradicação do comércio de seres humanos e pela abolição do regime escravocrata. Três meses antes de morrer, em 1833, o velho abolicionista, já afastado de suas funções devido à idade e à saúde debilitada, foi convencido por amigos a propor uma última petição contra a escravidão no Parlamento. Nela, escreveu: Jamais pensei em vir a público novamente, mas nunca se dirá que William Wilberforce se manteve em silêncio enquanto os escravos precisavam de sua ajuda. Finalmente, em 26 de julho de 1833, o Parlamento aboliu a escravidão no Reino Unido e em todas as suas colônias. Wilberforce morreu três dias depois, deixando um legado que resultaria no fim da escravatura em todo o mundo. (*Com informações de Wilberforce School e Ministério Fiel)

Isaac Milner (1750-1820) – Foto: Reprodução


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