Sociedade | Revista Graça/Show da Fé
Família – 274
01/05/2022
Carta do Pastor à ovelha – 276
01/07/2022
Foto: Arte sobre foto de Alex Block / Unsplash

Problema nacional

Brasileiros estão entre os que mais sofrem de ansiedade e os que mais se preocupam com a saúde mental

Por Ana Cleide Pacheco

Em 2019, uma investigação divulgada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) colocou o Brasil no topo do ranking mundial de casos de ansiedade. Segundo o levantamento, o país era o mais ansioso do planeta: quase 19 milhões de brasileiros conviviam com algum sintoma relacionado a esse tipo de transtorno. Dois anos antes, em 2017, outro relatório da OMS já constatara que o país era o campeão latino-americano de casos de depressão: quase 6% da população padecia do problema.

A covid-19, que varreu o planeta em 2020 e em 2021, expôs os habitantes do país a uma série de fatores estressantes, deixando muitos ainda mais propensos a ter esses e outros transtornos mentais. Não por acaso, uma sondagem levada a efeito no segundo semestre de 2021 mostrou que os brasileiros são o povo que mais se liga a questões relacionadas à saúde mental. De acordo com a análise, feita em 30 países pela Ipsos, empresa especializada em pesquisa de mercado e opinião pública, três em cada quatro brasileiros (75%) têm algum nível de preocupação com esse tema.

A gerente de pesquisa digital da Ipsos, Helena Junqueira, diz que isso pode ser visto como um reflexo da alta incidência de transtornos mentais entre a população. “Somos o país mais ansioso do mundo e o mais deprimido da América Latina. A pandemia agravou esse cenário, resultando em um aumento no número de casos”, avalia. Ela destaca que os cidadãos daqui estão cada vez mais conscientes em relação à importância da preservação da saúde mental. Segundo a profissional, embora esse ainda seja um tema marcado por bastante preconceito e falta de informação, observa-se que essas questões vêm sendo trazidas à tona pela mídia e pelas redes sociais. “Falar sobre o assunto e divulgar informações confiáveis é fundamental para a saúde mental deixar de ser um tabu”, esclarece.

O psicólogo Luís Augusto de Carvalho Mendes orienta: “Agora é momento de avaliar todos esses fatores e reorganizar as rotinas, respeitando os limites psicológicos de cada um” – Foto: Arquivo pessoal

“Fadiga pandêmica” – O isolamento social, as aulas remotas, o trabalho em home office e a diminuição das atividades ao ar livre foram algumas das causas da redução drástica da qualidade de vida das pessoas durante a pandemia. Além disso, milhares viram familiares e amigos morrerem devido a complicações da covid-19 – ao todo, 619.109 mortes registradas até 31 de dezembro de 2021. “Quando juntamos esses fatores, vemos o quanto o estresse envolvido nesses processos interferiu em nossa vida diária e afetou nossa saúde mental e física”, comenta o psicólogo Luís Augusto de Carvalho Mendes, 43 anos, da Igreja Metodista Central em João Pessoa (PB). Ele lembra que, durante os meses de isolamento, muita gente se sentiu mais cansada mesmo sem fazer esforço físico. “É o que alguns denominam como ‘fadiga pandêmica’. Agora é momento de avaliar todos esses fatores e reorganizar as rotinas, respeitando os limites psicológicos de cada um”, orienta.

O especialista sublinha que a saúde física e espiritual é outro ponto relevante para a manutenção da saúde mental. Lembrando que o ser humano é corpo, alma e espírito, ele explica que essas áreas estão intimamente interligadas. “Geralmente, pessoas que possuem práticas espirituais constantes e as aplicam quando estão doentes, por exemplo, têm uma melhor resposta nos tratamentos.” Por outro lado, ele afirma que, se o indivíduo guarda boa saúde mental e física, esta contribui para o desenvolvimento de sua vida espiritual, que inclui a participação efetiva dos cultos nas igrejas.

O Pr. Rodrigo Aparecido Guedes informa: “A relação entre a prática de exercícios e a manutenção do bem-estar mental já é consenso entre os profissionais de saúde” – Foto: Arquivo pessoal

O Pr. Rodrigo Aparecido Guedes, 43 anos, líder da Comunidade Cristã Essência da Graça, em Rio Claro (SP), concorda com o psicólogo Luís Augusto Mendes. “Se o corpo vai bem, a mente vai bem. E isso acaba contribuindo para uma vida espiritual saudável. Mas, se tudo estiver desalinhado, o espiritual não permanecerá de pé. Dessa forma, é importante que corpo, mente e espírito vivam em uma completa harmonia”, recomenda.

Por outro lado, apesar de ver como positivo os brasileiros estarem interessados no bem-estar mental, o líder enfatiza que cuidar da saúde física é essencial. “A relação entre a prática de exercícios e a manutenção do bem-estar mental já é consenso entre os profissionais de saúde”, informa. O pastor argumenta que alguns estudos apontam que a atividade física regular diminui os riscos de depressão e ansiedade.

O Pr. Helton Bedana Sampaio atesta: “Percebo que muitos chegam à Igreja com problemas de saúde mental e não entendem o que sentem. Na verdade, estão em busca de conforto” – Foto: Arquivo pessoal

“Dor da alma” – O Pr. Helton Bedana Sampaio, 37 anos, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) de Taquaritinga (SP), tem observado, em sua prática ministerial, o aumento do número de pessoas que apresentam conflitos emocionais. “Como pastor, percebo que muitos chegam à Igreja com problemas de saúde mental e não entendem o que sentem. Na verdade, estão em busca de conforto”, atesta Sampaio, argumentando ser fundamental mostrar o caminho da cura. “Penso que cuidar da mente deve ser uma prioridade, pois, como lemos em Provérbios 17.22: O coração alegre serve de bom remédio, mas o espírito abatido virá a secar os ossos.

A pedagoga e missionária Maria do Socorro Paiva de Souza lembra: “Encontramos referências sobre saúde mental nas Escrituras Sagradas. Em alguns casos, as pessoas eram oprimidas por espíritos demoníacos, como o endemoninhado gadareno” – Foto: Arquivo pessoal

Para a pedagoga e missionária Maria do Socorro Paiva de Souza, 47 anos, da Igreja de Cristo Pentecostal Internacional em Araras (SP), a promoção do bem-estar físico, emocional e espiritual deve ser prioridade nas comunidades cristãs. Ela lembra que o próprio Jesus lidou com pessoas que tinham problemas na mente. “Encontramos referências sobre saúde mental nas Escrituras Sagradas. Em alguns casos, as pessoas eram oprimidas por espíritos demoníacos, como o endemoninhado gadareno [Mc 5.1-20]. Em outro texto, vemos a dor da alma de Marta e Maria, com a perda de seu irmão, Lázaro [Jo 11.1-44]. Assim, observo que o Senhor sempre Se preocupou e tratou desse assunto”, frisa a missionária citando uma conhecida passagem da terceira carta de João: Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma (3 Jo 1.2).

A Pra. Regiane Cardozo de Altino Miranda observa: “Na verdade, Deus sempre ressaltou isso, ou seja, a questão do confessar, do falar, de não deixar o sol se pôr sobre nossa ira” – Foto: Arquivo pessoal

Já a Pra. Regiane Cardozo de Altino Miranda, 45 anos, da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) de Valentina, em João Pessoa (PB), cita as palavras de Davi registradas no Salmo 32.3: Enquanto eu me calei, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia. “Ele queria abordar a questão da fala, a cura que vem pela palavra, algo que a psicologia e a psicanálise também defendem”, opina a ministra, estudante de Psicologia. “Na verdade, Deus sempre ressaltou isso, ou seja, a questão do confessar, do falar, de não deixar o sol se pôr sobre nossa ira.” [Leia no final desta reportagem o quadro Soluções bíblicas]

A pastora pontua que a Igreja é a única instituição que cuida do homem de forma integral. “O médico cuida do físico, o psicólogo, do emocional, porém Deus cuida do todo. Dessa forma, como cristãos, conseguimos entrar em áreas em que Satanás, nosso inimigo, tem trabalhado em muitas vidas. Fazemos o mesmo que Cristo: expulsar demônios, curar e amar”, conclui.

Foto: Arte sobre foto de Mauro Mora / Unsplash

Soluções bíblicas

Diz-se que a ansiedade é o mal do século. Entretanto, trata-se de um problema tão antigo quanto o próprio homem. Ficar um pouco inseguro ou ansioso diante de algumas situações é natural. Mas, quando esse estado de inquietação se torna um companheiro constante, é sinal de que algo deve ser feito. Para combater esse malefício, a Palavra apresenta uma série de conselhos práticos, tais como:

Crer em Deus – A Bíblia afirma que Deus é Todo-Poderoso e, portanto, digno de plena confiança – Eis que eu sou o SENHOR, o Deus de toda a carne. Acaso, seria qualquer coisa maravilhosa demais para mim? (Jr 32.27) – e capaz de operar maravilhas em favor daqueles que O buscam: Porque para Deus nada é impossível (Lc 1.37).

Orar confiantemente – Ciente de quem o Altíssimo é, mesmo o coração mais aflito pode ir a Ele em oração, pois será ouvido: Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças (Fl 4.6).

Entregar tudo – A Bíblia manda que toda a nossa inquietação seja depositada diante do Senhor – Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós (1 Pe 5.7) – e ensina que, mesmo em meio às maiores adversidades, o Pai agirá em favor daqueles que nEle esperam: Busquei ao SENHOR, e ele me respondeu; livrou-me de todos os meus temores (Sl 34.4).

Buscar ajuda – Permanecer isolado em momentos de ansiedade é uma má ideia: A solicitude no coração do homem o abate, mas uma boa palavra o alegra (Pv 12.25). Aliás, a Palavra incentiva Seus servos a estarem juntos, animando-se mutuamente: […] orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos (Tg 5.16).

(Fontes: Bíblia Sagrada)


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.